A importância do jornalismo independente e de qualidade

O jornalismo profissional não admite torcida e manipulação. Todos têm direito a opiniões, mas ninguém tem direito aos fatos
Foto mostra a sede do STF
Foto: Divulgação/STF

Não se constrói ou se aprimora uma democracia demolindo suas instituições. No Estado Democrático de Direito, ainda que vilipendiada com alguma frequência – inclusive por quem deveria zelar por ela -, a obediência à ordem constitucional é soberana. Ninguém está acima das leis ou de outras pessoas.

A democracia não serve aos propósitos da maioria, como muitos creem. Ao contrário. Ela garante direitos iguais às minorias. Se agentes públicos, autoridades e instituições falham na obediência dos ditames legais, que sejam fiscalizados, admoestados, reparados e até punidos. Mas jamais destruídos.

No regime tripartite de Poderes que escolhemos, ao judiciário, como é comum dizer, cabe o direito de errar por último. À sociedade cabe o rigor no julgamento e na escolha de seus líderes, que não caem do céu. Magistrados imperfeitos, como políticos imperfeitos, são como a gente antes de serem eleitos e/ou nomeados.

Democracia relativizada

Um político ou um governante corrupto já era um cidadão corrupto. Um magistrado vaidoso ou inebriado pelo poder já era um cidadão vaidoso ou inebriado pelo poder. A parcela da sociedade que se diz conservadora não pode, em nome de insatisfações e frustrações, querer extirpar os males a partir da destruição.

Como no Brasil e em alguns países (Hungria, Polônia, Venezuela e Israel), a Justiça americana está sob ataque (o motivo deste texto). Em comum, todos estes estados são governados por autoritários populistas. Em nome da democracia (deles) e da pátria (deles), atenta-se contra a última barreira civilizatória – ainda que imperfeita.

Bolsonaro e o bolsonarismo, por exemplo, acreditam em um mundo diferente do de 1/3 dos demais brasileiros que acreditam no lulopetismo. O terço restante, em sua maioria, acredita em um mundo ainda mais diverso. Não houvesse uma constituição e um judiciário, a cada alternância de poder teríamos um novo Brasil.

O papel da imprensa

Pior. A cada alternância de poder teríamos repressão, segregação e mortes. Se os Poderes executivo e legislativo se alternam, e o judiciário em tempos, momentos e formas diferentes, mais lentas, idem, a Constituição é a salvaguarda do país, da civilização. Um conservador deveria querer preservá-la, e não destruí-la.

O judiciário brasileiro não precisa ser extinto ou reformado. Precisa ser ainda mais fiscalizado e cobrado – pelo Poder legislativo, que tem os instrumentos legais para tanto, e pela sociedade, que tem o maior dos poderes: o voto. Como não fazemos nossa parte, alguns acabam flertando com o “vale-tudo” da destruição.

À imprensa independente e de qualidade cabe a estrita observância das leis e da moralidade. O jornalismo profissional e isento não admite torcida e manipulação. Todos têm direito a opiniões, mas ninguém tem direito aos fatos. Estes são escravos da verdade, da realidade. Ser publisher em O Fator reforça este meu compromisso. 

Ricardo Kertzman é empresário, e há 8 anos milita no jornalismo profissional. Tem passagens pelo jornal Estado de Minas e Portal UAI, com a coluna Opinião Sem Medo; pela revista e site da IstoÉ; pela Rede 98 e a Rádio Itatiaia, como comentarista do Conversa de Redação. Escreve para a revista Encontro e o portal O Antagonista.

Leia também:

A quarta-feira cheia da ALMG nesta semana

O mal-estar no PT por causa de vídeo de Marília Campos com Gabriel Azevedo

Justiça rejeita ação de suplente contra vereadora de BH por uso de ‘Carreta da Saúde’ em campanha

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse