O vereador Wagner Ferreira (PV) resolveu assumir de vez sua entrada na chamada “Família Aro” da Câmara de Belo Horizonte. Nesta segunda-feira (31), o parlamentar se reuniu com o secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP), “padrinho” do grupo, e a deputada federal Nely Aquino (Podemos-MG) para alinhar a parceria. O partido de Wagner Ferreira, o PV, não gostou nada da novidade.
Pelo que O Fator apurou, o vereador alinhou que deve acompanhar os entendimentos da Família Aro nas votações e articulações na Câmara da capital. Além disso, ele deve fazer a chamada “dobradinha” nas eleições de 2026 com Nely Aquino, quando Wagner deve se candidatar a deputado estadual. O foco da dobradinha será a região de Venda Nova.
Em dezembro, Wagner Ferreira já havia se aproximado muito do grupo de Aro depois que rejeitou a orientação do PV e apoiou a candidatura de Juliano Lopes (Podemos) para presidente da Casa.
Na época, Ferreira foi muito pressionado pelo PV para apoiar a candidatura de Bruno Miranda (PDT), líder do governo na Câmara. O PV, além de apoiar Fuad Noman (PSD) desde o primeiro turno das eleições de 2024, integra a base política da gestão municipal e tem cargos na estrutura da prefeitura.
A reunião do vereador com Aro e Nely Aquino abriu uma nova crise no PV, que formalmente continua na prefeitura, embora, agora, tenha seu único vereador ligado a um grupo político que nutre rivalidade com o novo prefeito, Álvaro Damião (União Brasil).
“Política não se faz sozinho. Com o afastamento do PV a partir de janeiro, iniciei as conversas para ingressar em um novo grupo político. Recebi o convite da deputada Nely Aquino para esta parceria nas eleições de 2026. Nós dois temos base eleitoral em Venda Nova, e acredito que, tanto na Assembleia Legislativa quanto no Congresso Nacional, vamos garantir mais políticas públicas para a região”, disse Ferreira a O Fator.
O entendimento dos verdes é que, ao se alinhar oficialmente ao grupo de Aro, Ferreira dobrou a aposta junto ao partido, uma vez que a decisão de não seguir a orientação partidária na disputa pelo comando da Câmara já havia estremecido a relação. Apesar das dissonâncias, interlocutores da legenda afirmam que, por ora, não há o plano de liberar o vereador da filiação ao PV. O entendimento é que uma saída antecipada poderia facilitar uma eventual candidatura do vereador a deputado estadual em 2026.
Ferreira, a propósito, construiu sua carreira política na centro-esquerda. Antes do PV, foi filiado ao PDT e chegou a utilizar, como nome de urna em 2020, a sigla do Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância do Estado de Minas Gerais (Sinjus).
Sobre a relação com a Prefeitura de Belo Horizonte, Wagner Ferreira afirmou que espera por uma conversa entre Damião e Aro. O grupo liderado por Aro tem, segundo o vereador, “entre 10 e 12” parlamentares próximos na Câmara de BH.
“Acredito que é inevitável uma agenda entre o prefeito e o secretário Marcelo Aro. O resultado desse encontro irá orientar também a relação do nosso grupo com a Prefeitura”, afirmou.