O Itamaraty espera arrecadar com vistos para turistas dos Estados Unidos, Austrália e Canadá cerca de 3% do que a indústria do turismo estima faturar com a isenção deles.
A informação consta em documento que obtive via Lei de Acesso à Informação e revelei em maio de 2023, ainda no Brazilian Report.
O tema voltou a ganhar importância porque voltou a valer nesta quinta (10) a exigência de vistos brasileiros para turistas desses países.
O cálculo original do Itamaraty incluía turistas do Japão, que posteriormente assinou acordo com o Brasil para isentar vistos para turistas brasileiros e por reciprocidade agora ficou de fora da exigência. Porém, o número de turistas japoneses no Brasil é pequeno e não afeta muito o cálculo. De acordo com o Ministério do Turismo, foram quase 79 mil turistas japoneses em 2019, antes da pandemia, ou cerca de 13% do número de turistas americanos no mesmo ano (590 mil), e 1,2% do número total de turistas estrangeiros.

Em exposição de motivos apresentada pelo Itamaraty e entregue a Lula em 2023, o ministério estima que o Brasil tenha deixado de arrecadar “cerca de US$ 15,9 milhões” com a isenção de vistos, determinada por decreto em 2019, pelo governo Bolsonaro.
Em audiência pública na Câmara em 2023, convocada para pressionar o governo Lula a adiar a retomada dos vistos (o que de fato aconteceu), os números apresentados para o setor privado eram bem diferentes.
Fabio Bentes, economista sênior da CNC, mostrou que a isenção de vistos ajudou a atrair turistas americanos e de outros países, um impacto para o setor de turismo nacional de cerca de US$ 510 milhões – ou seja, mais de 32 vezes o que o Itamaraty perdeu em arrecadação.
Esse número foi calculado assim: em 2019, ano da revogação de vistos e antes da pandemia, o número total de turistas estrangeiros caiu em cerca de 1%, mas o número de turistas dos países isentos de visto subiu em 21%. Estimou-se ainda que esses 60 mil turistas a mais gastaram US$ 4,2 mil cada em média – isso dá US$ 252 milhões, o que se refere apenas à segunda metade de 2019, quando a isenção estava valendo e antes da pandemia. Se a isenção valesse em 2019 inteiro, argumenta Bentes, o valor passaria dos US$ 500 milhões.
Os países então isentos de visto (Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão) ficaram conhecidos no setor de turismo pela sigla “ECAJ”.
O Brasil recebeu 441 mil turistas americanos em 2022, 668 mil em 2023, e 728 mil no ano passado – um crescimento turbinado pela isenção de vistos.
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