Desde que passou a ter representação na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), em 2017, por meio do mandato parlamentar do hoje vice-governador Mateus Simões, o Novo foi sempre uma força de oposição à prefeitura. O posicionamento oposicionista foi seguido nas gestões de Alexandre Kalil e Fuad Noman, mas agora, com a posse de Álvaro Damião (União Brasil), dirigentes e mandatários do partido afirmam que a relação com o Executivo municipal passará a ser de sinergia.
Apesar da boa relação inicial, Kathleen Garcia, presidente do diretório do Novo em BH, diz que a aproximação entre o partido e a prefeitura não passará, necessariamente, pela indicação de quadros da legenda para a ocupação de cargos comissionados.
“Estamos prontos para contribuir em todos os projetos que forem do interesse da população de Belo Horizonte. Mas não discutimos internamente essa questão dos cargos. Temos uma bancada qualificada na Câmara, que conhece a cidade e estará sempre pronta para conversar com o prefeito e buscar caminhos e soluções. Quem ganha com essa parceria é BH”, aponta Garcia, que foi secretária de Estado adjunta de Desenvolvimento Econômico.
A aproximação começou já na cerimônia de posse de Damião, em 3 de abril. Principal liderança da sigla, o governador Romeu Zema se colocou à disposição para ajudar a Prefeitura de BH em projetos estruturantes da cidade. Zema quebrou o protocolo típico dos discursos oficiais ao dar um recado direto ao novo prefeito.
“Se não tiver meu telefone, passo agora”, afirmou.
Vereadores esperam frutos
O recado de Zema foi rapidamente entendido pela bancada do Novo. Líder do partido na Câmara, o vereador Braulio Lara afirmou que o período em que a legenda fazia uma oposição mais crítica à administração municipal está, pelo menos a princípio, superado.
“O estado e a prefeitura da capital têm que trabalhar em sintonia. Nós, do Novo, vemos na gestão do Álvaro uma grande oportunidade de realinhamento em prol de uma cidade melhor. Essa aproximação não significa afastar a característica independente dos nossos mandatos. Mas é sempre de apoiar com energia aquilo que é bom, sempre mantendo o diálogo para colocar as críticas quando necessário”, pontua.
A avaliação de Lara é similar ao posicionamento de Marcela Trópia, outra componente da bancada do Novo no Legislativo belo-horizontino.
“Como serão os diálogos com o novo prefeito só com o tempo vamos saber, mas pelo menos dá uma renovada na relação. Estávamos muito desgastados com o Fuad. Agora é uma chance de encaminhar novamente as pautas e tentar avançar no que defendemos”, assinala.