Usiminas registra lucro de R$ 337 milhões no primeiro trimestre e alerta para ‘concorrência desleal’ no setor

Empresa comemorou resultado, mas fez ponderações sobre falta de medidas para criar ‘competição justa’ com importações
As vendas de aço alcançaram um aumento de 4% no volume destinado ao mercado interno. Foto: Divulgação/Usiminas
As vendas de aço alcançaram um aumento de 4% no volume destinado ao mercado interno. Foto: Divulgação/Usiminas

A Usiminas divulgou nesta quinta-feira (24) seus resultados financeiros referentes ao primeiro trimestre de 2025, apresentando um lucro líquido de R$ 337 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 117 milhões registrado no trimestre anterior. Apesar dos resultados positivos, a empresa manifestou sérias preocupações com o volume crescente de importações de aço no Brasil e seus impactos no setor siderúrgico nacional.

O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado alcançou R$ 733 milhões, representando um aumento de 41% em relação ao quarto trimestre de 2024. A receita líquida totalizou R$ 6,9 bilhões, um crescimento de 6% em relação ao último trimestre.

Cenário alarmante

A Usiminas destacou que março de 2025 registrou o terceiro maior volume mensal de importação de aço plano da história do Brasil. No primeiro trimestre, o volume de importação de aços planos alcançou 1 milhão de toneladas, um crescimento expressivo de 42% em relação ao mesmo período de 2024.

A empresa classificou esses dados como “alarmantes e inaceitáveis”, enfatizando que as medidas implementadas pelo governo para controlar o problema das importações de aço têm se mostrado ineficazes e precisam ser urgentemente revisadas.

Competição desleal

A siderúrgica apontou a falta de aplicação de medidas eficazes para criar condições justas de concorrência como a principal ameaça para a sustentabilidade do setor siderúrgico brasileiro e sua cadeia de valor. A empresa destacou que diversos países têm reagido a essa situação, e de acordo com o Instituto Aço Brasil, em meados do ano passado já existiam 215 medidas de defesa comercial contra o setor siderúrgico chinês.

Nos últimos quatro meses, foram iniciadas nove novas investigações ou medidas de proteção gerais ou contra a China. A Usiminas alertou que “o Brasil não pode ficar para trás e precisa defender a indústria local, os empregos e os investimentos contra esta prática desleal”.

A empresa mencionou que a Secretaria de Comércio Exterior divulgou recentemente os relatórios preliminares das investigações para laminados a frio e revestidos chineses, que constataram a prática de dumping com margem de até US$624/t para laminados a frio e até US$575/t para revestidos.

Apesar da comprovação dessas práticas, não foi recomendada a aplicação preliminar do direito antidumping, o que, segundo a Usiminas, vai na contramão do que acontece na maioria dos países que protegem suas indústrias locais.

Perspectivas

Para o segundo trimestre de 2025, a Usiminas projeta estabilidade na unidade de siderurgia, com volume de vendas similar ao do primeiro trimestre. Na mineração, a expectativa também é de volume de vendas estável, mas com perspectivas menos favoráveis em relação aos preços internacionais do minério.

A empresa alertou para um cenário desafiador e incerto para a segunda metade de 2025, principalmente devido aos altos volumes de importação de aço em condições de competição desleal, ao impacto no consumo doméstico devido às taxas de juros elevadas e às incertezas no comércio internacional.

Apesar dos desafios, a Usiminas reafirmou seu compromisso em manter o foco na gestão de excelência operacional, no atendimento aos clientes via desenvolvimento de produtos e serviços, e na integração com as comunidades onde atua, com ênfase em práticas ambientais e de segurança.

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