O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, deu, nesta segunda-feira (28), duas declarações controversas sobre a possibilidade de o deputado federal Nikolas Ferreira ser o candidato do partido ao governo de Minas Gerais em 2026.
Em entrevista à “CNN Brasil”, Valdemar descartou o nome de Nikolas como concorrente ao Palácio Tiradentes no ano que vem. “É importante ele ter mais experiências para chegar ao Poder Executivo”, afirmou o dirigente.
Minutos depois, em conversa com a colunista Raquel Landim, do “UOL”, Valdemar negou qualquer contrariedade do PL a uma eventual candidatura de Nikolas ao Executivo estadual.
“Jamais. Quem define a vida do Nikolas é ele mesmo. E ele já provou que é um fenômeno”, disse.
Procurado por O Fator, o gabinete de Nikolas Ferreira afirmou que ainda não há martelo batido no PL mineiro sobre 2026.
“A fala do presidente é uma opinião dele. Não é fruto de nenhuma conversa com o deputado. Nikolas ainda não definiu seu futuro político e caso o futuro seja a disputa do governo a conversa com o partido é parte importante para essa costura. Ainda é cedo para essas definições. É tempo de diálogo e estudo”, diz a nota.
As avaliações contraditórias do presidente nacional do PL reforçam a tese de que nem mesmo o partido de Nikolas está certo sobre o papel a ser desempenhado pelo deputado em 2026. Como O Fator já mostrou, uma corrente na cúpula do PL deseja que o parlamentar, campeão nacional de votos em 2022, dispute novamente uma cadeira na Câmara dos Deputados no ano que vem.
O entendimento é que a busca pela reeleição ampliará o potencial de Nikolas como “puxador de votos”. Na última disputa, ele conseguiu nas urnas o apoio de 1,47 milhão de eleitores, garantindo a vitória de seis outros candidatos do PL por meio do quociente eleitoral. O número de parlamentares na bancada da Câmara define o tamanho do fundão eleitoral para cada legenda.
Uma possível candidatura de Nikolas ao Senado Federal chegou a ser discutida no PL. Para que o deputado pudesse concorrer, no entanto, seria preciso que fosse aprovada uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para diminuir a idade mínima para a atuação na Casa Alta do Congresso Nacional. Hoje, um senador precisa ter pelo menos 35 anos.
No início do ano, o PL mineiro desembarcou da base do governador Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa. Nas últimas semanas, contudo, as partes vêm se reaproximando. A participação de Zema em um ato pró-anistia organizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em São Paulo (SP), no início do mês, ampliou a percepção de que há como fortalecer os laços. Por isso, um eventual apoio a Mateus Simões (Novo) no ano que vem não está descartado.
Ainda à direita, o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, também é cotado para concorrer ao Palácio Tiradentes.