Os responsáveis pelo projeto do Parque da Linha Férrea, tido como saída para desafogar o trânsito na divisa entre Belo Horizonte e Nova Lima, se preparam para enviar, à Secretaria de Patrimônio da União (SPU), o escopo da proposta de uso da área do antigo ramal ferroviário das Águas Claras, situado entre o bairro belo-horizontino Belvedere e o Vila da Serra, em solo nova-limense. A última etapa antes da entrega do plano do Parque da Linha Férrea aconteceu na quarta-feira (30), em uma audiência pública para tratar do tema, no Bairro Funcionários, em BH.
Depois que os materiais referentes ao parque forem remetidos à SPU, o governo federal terá 60 dias para avaliar a proposta. Defensores da iniciativa pleiteiam que o terreno seja entregue pela União às prefeituras de Belo Horizonte e Nova Lima. Um acordo assinado no ano passado é a aposta para acelerar a doação da área.
A principal diretriz do Parque da Linha Férrea gira em torno a construção de uma avenida para ligar importantes vias da divisa BH-Nova Lima, como a a MGC-356, a MG-030, a Alameda Oscar Niemeyer, a Rua da Paisagem, a Rua do Campo, a Avenida Doutor Flávio Guimarães, a Avenida Doutor Marco Paulo Simon e a Rua Severino Melo Jardim. O entendimento é que a nova via ajudaria a diminuir o tempo de deslocamento de um município ao outro, aliviando os engarrafamentos na região.
A parte viária do projeto tem 5,2 quilômetros de extensão, conectando o Bairro Olhos d’Água, em BH, à entrada da Mina de Águas Claras, nas proximidades do Bairro Jardim da Torre, em Nova Lima. Moradores dos bairros Vila da Serra, Vale do Sereno, Jardim das Mangabeiras e Belvedere, localizados nas redondezas da divisa entre as cidades, também sejam beneficiados.
A audiência pública do último dia 30 foi organizada pela Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Agência RMBH). Moradores dos bairros abrangidos pelo projeto aproveitaram a reunião para encampar a bandeira do parque, citando que a nova avenida contemplada pela proposta vai diminuir o crônico problema de trânsito que assola a região, bem como promover requalificação urbana e ambiental à divisa entre as cidades.
Segundo a Associação da Vila da Serra e Vale do Sereno (AVS), cerca de 300 pessoas estiveram presentes à audiência, ocorrida no auditório da EMEI Imaculada. Consultores técnicos que atuam na construção do Projeto do Parque da Linha Férrea apresentaram as bases do pacote de intervenções.
Detalhes do projeto
Toda a área considerada para o Parque da Linha Férrea tem cerca de 400 mil metros quadrados. O escopo do projeto prevê a criação de um parque ecológico, de um parque linear e a conservação dos trilhos do antigo ramal das Águas Claras.
Segundo o urbanista André Ayres, idealizador do projeto do Parque da Linha Férrea, a iniciativa considera o estabelecimento de uma conexão direta ao Circuito Jardim das Águas, agrupamento de áreas de preservação permanente (APPs) que, somadas, têm mais de 700 mil metros quadrados de mata atlântica.
A ideia de ligar os dois espaços servirá para criar trilhas ecológicas e mirantes.
Batizada de Avenida Parque, a principal intervenção viária contemplada pelo pacote não é a única proposta para melhorar o trânsito na região. O arcabouço do Parque da Linha Férrea engloba, ainda, a construção de novas estradas e o alargamento de pontilhões, bem como o estabelecimento de ligações asfálticas diretas a pontos importantes da região, como a Avenida Oscar Niemeyer.
A mobilidade urbana está presente, ainda, em outra alça do projeto: a que trata da construção de travessas para a passagem de cidadãos que desejam percorrer a pé os pontos de ligação entre os dois municípios.
Acordo preliminar
Os debates sobre o Parque da Linha Férrea são fruto de um Termo de Acordo Preliminar (TAP) assinado por por representantes do Ministério Público Federal (MPF), do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), da União, Prefeitura de Belo Horizonte, da Prefeitura de Nova Lima, do governo de Minas Gerais, da Agência RMBH e do Instituto Estadual de Florestas (IEF).
O documento foi redigido com o objetivo de garantir o repasse, da União aos municípios de BH e Nova Lima, do terreno do antigo ramal ferroviário, com vistas a protegê-lo ambiental e socialmente.
O licenciamento ambiental do novo parque só será requerido após a formalização da doação da área.
