Sem aval da Justiça Eleitoral para uso de urnas eletrônicas, PT fará pleito interno com voto em papel

Decisão foi formalizada pela Comissão Executiva Nacional do partido nessa quarta-feira (22)
Além das urnas, o partido também havia solicitado o sistema de votação eletrônico e o suporte técnico da Justiça Eleitoral. Foto: Comunicação TSE

Sem sucesso na tentativa de obter urnas eletrônicas da Justiça Eleitoral, o PT vai realizar eleições internas de 2025 por cédulas de papel, em todo o país. A decisão foi formalizada pela Comissão Executiva Nacional do partido nessa quarta-feira (22). O pleito, que vai definir os componentes das direções municipais, estaduais e nacional da sigla, está agendado para 6 de julho.

A cúpula petista contava com a cessão de urnas eletrônicas para modernizar a votação, mas o plano esbarrou em entraves técnicos e operacionais apontados pela Justiça Eleitoral. Em Minas Gerais, onde o processo envolveria 745 municípios e cerca de 175 mil filiados, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) indeferiu o pedido feito ainda em dezembro de 2024, sob o argumento de que a estrutura disponível não comportaria a demanda.

Além das urnas, o partido também havia solicitado o sistema de votação eletrônico e o suporte técnico da Justiça Eleitoral. A proposta previa que as eleições municipais e estaduais do PT ocorressem no mesmo dia, com dois pleitos simultâneos em cada cidade. Para a Justiça Eleitoral, isso tornaria o processo extremamente custoso em termos de pessoal e estrutura, já que cada eleição exigiria parametrização manual: do cadastro de eleitores e candidatos ao envio das fotos para as urnas.

Além do esforço técnico, o cronograma também pesou na decisão. A eleição petista está prevista para julho de 2025, mas as atividades relacionadas ao suporte e à configuração do sistema se estenderiam até agosto, justamente quando começa o cronograma de organização do próximo ciclo eleitoral.

Assim, o Tribunal optou por evitar sobrecarga nos cartórios, mesmo diante da excepcionalidade prevista em resolução do TSE, que permite a cessão de urnas a entidades privadas. Para o TRE-MG, não haveria como garantir a logística sem comprometer prazos futuros.

Com a negativa, a direção nacional do PT já trabalha na organização da votação manual, que exigirá mobilização de militância, controle interno da apuração e atenção redobrada à lisura do processo.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

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