O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou alta de 1,4% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior, conforme relatório da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), baseado em dados do IBGE. O principal fator para o desempenho foi a recuperação da agropecuária, que apresentou crescimento de 12,2% no período.
A agropecuária foi o setor com melhor desempenho. No acumulado do ano, o segmento registrou expansão de 10,2%. O crescimento foi impulsionado principalmente pelas safras de soja, milho e arroz, superando os demais setores na contribuição ao PIB.
A indústria teve queda de 0,1% no trimestre, com retrações nos segmentos de transformação (-1%) e construção (-0,8%), refletindo o impacto das pressões inflacionárias e das altas taxas de juros. Por outro lado, a indústria extrativa apresentou crescimento de 2,1%, enquanto energia e saneamento cresceram 1,5%. No acumulado do ano, o setor industrial cresceu 2,4%, com avanços na construção (3,4%) e na indústria de transformação (2,8%), puxados por máquinas e equipamentos, metalurgia, produtos químicos e farmacêuticos.
O setor de serviços teve crescimento modesto de 0,3% no trimestre e de 2,1% no acumulado do ano. Todas as atividades de serviços apresentaram resultado positivo nesse período.
Ótica da demanda
Pela demanda, o consumo das famílias aumentou 1% no trimestre e 2,6% no acumulado do ano, favorecido pelo aumento da massa salarial e do crédito, apesar dos juros elevados. O consumo do governo cresceu 0,1% no trimestre e 1,1% no acumulado.
Os investimentos (formação bruta de capital fixo) subiram 3,1% no trimestre e 9,1% no ano, motivados principalmente pela construção civil, importação de plataformas de petróleo e desenvolvimento de softwares. As exportações cresceram 2,9% no trimestre e 1,2% no ano, com destaque para veículos, produtos agropecuários, papel e celulose e derivados do petróleo. As importações subiram 5,9% no trimestre e 14% no acumulado anual.
O IBGE revisou a série histórica do PIB, indicando uma desaceleração um pouco mais acentuada no último trimestre de 2024.
Perspectivas
O relatório aponta para uma tendência de desaceleração ao longo de 2025. Apesar do desempenho positivo no início do ano — atribuído à agricultura e à indústria extrativa — há expectativa de estagnação nos próximos trimestres, sendo previstos os seguintes crescimentos anuais para 2025:
- PIB Geral: 2,0%
- Agropecuária: 7,2%
- Serviços: 1,5%
- Indústria: 1,8%
O cenário é influenciado pela manutenção de juros elevados, que restringem crédito e investimentos produtivos, além de pressões inflacionárias, especialmente em alimentos e serviços. A valorização do câmbio no início do ano trouxe alívio temporário, mas a persistência do câmbio elevado dificulta o controle inflacionário em um ambiente de condições financeiras restritivas.