Soraya pede indiciamento de Marcus Silva, que faltou à CPI das Bets

Marcus Silva apareceu como diretor da Entain, dona da marca Sportingbet, na agenda do prefeito Ricardo Nunes
Marcus Silva e prefeito Ricardo Nunes
Marcus Silva (na agenda da prefeitura de São Paulo, "diretor da Entain") com Ricardo Nunes em setembro de 2022: indiciamento. Foto: Leon Rodrigues/Prefeitura de São Paulo

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora e idealizadora da CPI das Bets, pediu o indiciamento de Marcus Silva por vários crimes no relatório final apresentado nesta terça (10).

Em dezembro, O Fator revelou que Marcus Silva, cujas advogadas disseram à CPI nunca ter sido diretor do grupo Entain no Brasil, apareceu como “diretor da Entain” na agenda oficial do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). A Entain é dona da marca Sportingbet.

Depois da publicação da reportagem, a prefeitura admitiu a informação.

O encontro foi em setembro de 2022.

O prefeito registrou o encontro em um “story” (vídeo curto) no Instagram. Embora os “stories” desapareçam após 24 horas, uma cópia foi armazenada em um canal do YouTube chamado iGaming Brazil, dedicado a apostas.

“Pessoal, tudo bem? Tô recebendo o Marcus aqui, de uma das maiores empresas mundiais, que é a Entain. Fala pra gente, Marcus”, diz Nunes no vídeo.

Convocado para depor na CPI, Marcus nunca apareceu.

Soraya escreveu no relatório: “Denúncia recebida por esta CPI (…) complementa os dados financeiros com informações qualitativas sobre o modus operandi adotado por Marcus Silva. Segundo a peça, ele construiu fortuna de grandes proporções por meio da exploração de jogos eletrônicos e apostas esportivas entre os anos de 2018 e 2022, período anterior à regulamentação oficial da atividade no Brasil. Tal atuação, mesmo que indireta ou por meio de prepostos, configura contravenção penal nos termos dos arts. 50 e 51 da Lei de Contravenções Penais, sendo, portanto, infração penal antecedente para a lavagem de dinheiro”.

“Diante do exposto”, Soraya pede o indiciamento de Marcus por lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, exploração de jogos de azar, associação criminosa ou organização criminosa “e, se comprovada a tentativa de influência indevida no Poder Judiciário”, também pelos crimes de corrupção ativa e/ou tráfico de influência.

O relatório não será votado hoje porque Izalci Lucas (PL-DF) pediu vista.

Marcus Silva também foi convocado para depor na CPI da Manipulação do Futebol, realizada na Câmara em 2023. O depoimento, porém, nunca foi agendado. A CPI terminou duas semanas depois de aprovada a convocação dele, e em pizza: os deputados nem sequer votaram o relatório final.

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