O prefeito de Mariana, Juliano Duarte (PSB), aproveitou o evento com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na cidade, nesta quinta-feira (12), para pedir uma agenda entre o Planalto e os 49 municípios atingidos pelo rompimento da barragem, em 2015. Lula acenou para que Duarte marcasse o encontro com o Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, que também participava do evento para o anúncio de ações envolvendo a repactuação do do acordo de indenização pela tragédia.
Epicentro do caso, a prefeitura de Mariana não assinou o acordo. Duarte tem argumentado que os valores destinados ao município são insuficientes para cobrir os prejuízos causados pelo desastre. O prefeito também pontuou que a decisão de não assinar a repactuação não é uma retaliação ao governo ou ao presidente Lula (PT).
O prazo para a adesão ao acordo para os municípios atingidos pelo rompimento se encerrou no início de março. Apesar disso, Duarte tem sido procurado por interlocutores, principalmente ligados às empresas, sondando o que faltaria para que Mariana assinasse a repactuação. A sondagem tem sido interpretada como uma possibilidade de uma nova rodada de negociações.
Desde 2021, o município aposta as fichas no processo judicial contra a BHP Billiton na Justiça de Londres. Na ação estrangeira, Mariana pleiteia o pagamento de R$ 28 bilhões. Caso o município aceite participar do acordo brasileiro, seria obrigado a desistir da ação na justiça britânica. A primeira decisão da Corte do Reino Unido está prevista para julho.
Além de BHP, as mineradoras Vale e Samarco, os governos estaduais de Minas Gerais e Espírito Santo, a União, os Ministérios Públicos e as Defensorias Públicas dos estados também assinaram a repactuação.