Governo Zema diz que federalização da Codemig não está atrelada a PEC sobre direito de lavra do nióbio 

Após Assembleia aprovar repasse de estatais, deputados vão analisar proposta que permite atuação da União nas jazidas de Araxá
Planta de nióbio em Araxá
Codemig e CBMM têm parceria para atuar em jazidas de Araxá. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

O governo de Minas Gerais informou a O Fator, nesta quarta-feira (2), que os processos de federalização da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e de sua controladora, a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), não estão atrelados à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que autoriza o repasse, à União, do direito de lavra do nióbio de Araxá, no Alto Paranaíba.

As jazidas minerais localizadas em solo araxaense são o carro-chefe da atuação da Codemig. A exploração acontece em uma parceria com a CBMM, companhia privada que compõe o rol patrimonial da família Moreira Salles. A federalização das duas estatais, aprovada nesta quarta em 2° turno pela Assembleia Legislativa (ALMG), está relacionada ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

A PEC do direito de lavra, cujo primeiro signatário é o deputado Professor Cleiton (PV), foi apresentada no ano passado. A proposta também acabou inserida no bojo do Propag porque a Constituição Mineira estabelece que, em caso de extinção ou transferência do controle acionário da Codemig, a prerrogativa de minerar precisa ser entregue a outra estatal mineira. 

Se a obrigação legal for eliminada, a União, em caso de federalização da estatal, poderá atuar na exploração das jazidas araxaenses.

Em que pese o entendimento do governo mineiro sobre a PEC não estar atrelada às etapas necessárias à federalização, há quem pregue cautela. Segundo um interlocutor que conversou com a reportagem sob reserva, uma promulgação do texto sobre o direito de lavra antes da sanção dos projetos de federalização garantiria segurança jurídica à transação.

Sem valor definido

A equipe de Romeu Zema (Novo) quer envolver Codemge e Codemig na equação para o atingimento da regra que permite aos optantes pelo Propag o abatimento de 20% dos passivos por meio da dação de ativos.

A data-limite para a adesão ao Propag é 31 de dezembro. Uma projeção presente no Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2026 mostra que Minas pode terminar o ano devendo R$ 177,5 bilhões à União. Portanto, se os trâmites para a adesão ao Propag só terminarem no último dia de 2025, seria preciso reunir R$ 35,5 bilhões em bens para obter o desconto de 20%.

O valor a ser amortizado por meio dos repasses de Codemig e Codemge ainda não foi definido, uma vez que a confecção dos laudos de avaliação que vão determinar o tamanho do abatimento será de responsabilidade do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A Codemig, entretanto, contratou o Goldman Sachs para promover um exame dos ativos da empresa. A ideia é que a cúpula da empresa participe das negociações com a União tendo referência do valor de mercado do ativo.

Uma nota técnica da estatal chegou a estimar que os dividendos que a empresa faz jus na parceria com a CBMM poderiam chegar a R$ 59 bilhões. O material, entretanto, acabou excluído do site da Secretaria de Estado de Fazenda, que o hospedava.

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