Seis meses após ter a prisão preventiva decretada, o locutor bolsonarista Roque Saldanha Rosa, figura conhecida entre partidários do bolsonarismo, vai trocar a cela pelo regime domiciliar. A decisão, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes no último dia 2, atende a um pedido da defesa de Saldanha, mineiro de Carlos Chagas.
Ao justificar o pleito por prisão domiciliar, a defesa de Saldanha alegou agravamento do estado psicológico do investigado, hoje com episódios de paranoia, falas desconexas e alterações de humor.
Em novembro de 2024, Moraes determinou a prisão preventiva de Saldanha diante de sucessivos descumprimentos de medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a destruição de uma tornozeleira eletrônica — ato registrado em vídeo pelo próprio locutor, que aproveitou a gravação para atacar o ministro com termos como “vagabundo” e “safado”.
Quando foi preso no ano passado, Saldanha estava em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. O histórico de confrontos do locutor com o Judiciário não é recente. No segundo turno das eleições presidenciais de 2022, ele passou a questionar a lisura das urnas eletrônicas, fez ameaças a ministros do Supremo e defendeu atos armados em Brasília (DF).
A escalada culminou na acusação de incitação aos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, que o colocou no radar do STF.
Agora, Moraes decidiu que o tempo de prisão já cumprido, aliado ao quadro de saúde e à ausência de risco de novas infrações, autoriza a substituição por prisão domiciliar. A Procuradoria-Geral da República (STF) também foi favorável à medida, desde que acompanhada de restrições.
“Tais indícios, conforme atestado por seus familiares, especialmente por sua filha Hirandeidy Pereira Saldanha Petzold — estudante de psicologia — demonstram a existência de comportamento de condição psicológica, o qual exige atenção clínica especializada, ema ambiente adequado, sob, supervisão contínua e com apoio familiar”, anota um trecho da petição.
Saldanha também será monitorado por tornozeleira eletrônica e está proibido de usar redes sociais, dar entrevistas ou manter contato com outros investigados. Qualquer violação pode levá-lo de volta ao cárcere.
Outras broncas
Em 2016, quando disputava uma vaga de vereador em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, Saldanha foi preso após efetuar um disparo de arma de fogo em via pública. Policiais militares o encontraram caminhando com um revólver na mão e, diante da recusa em obedecer ordens de parada, usaram “força moderada” para contê-lo.
Durante a abordagem, ele sofreu uma queda e teve um corte na testa, recusando atendimento médico.
Na delegacia, além de responder por porte ilegal de arma e disparo em local público, veio à tona um mandado de prisão por dívida de pensão alimentícia no valor de R$ 17 mil.
