A ‘certeza’ de Mateus Simões sobre aliança com o PSD em 2026

Pré-candidato à sucessão de Zema, vice-governador tem acenado a diversos partidos em busca de coligação ampla
O vice-governador de Minas, Mateus Simões.
O vice-governador de Minas, Mateus Simões. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

Vice-governador de Minas Gerais e pré-candidato à sucessão do correligionário Romeu Zema, Mateus Simões (Novo) disse, nesta sexta-feira (11), ter “certeza” que conseguirá o apoio do PSD na eleição estadual do ano que vem. 

A declaração dada durante evento empresarial em Cachoeira do Campo, na Região Central, reforça a busca de Simões por uma aliança com os pessedistas — que, hoje, têm em seus quadros o senador Rodrigo Pacheco, nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar o Palácio Tiradentes.

“Tenho certeza que o PSD vai acabar caminhando conosco. Certeza porque caminham conosco desde o primeiro mandato do governador Romeu Zema. Na reeleição, estavam ao nosso lado. Mesmo tendo um candidato a governador no partido, que era (Alexandre) Kalil, os deputados estavam conosco. Não tem porque o PSD não caminhar conosco”, afirmou, ao participar do Conexão Empresarial. 

Nas últimas semanas, Simões tem mandado recados públicos ao PSD em prol de uma aproximação. O vice de Zema aposta na proximidade com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, com quem conversa periodicamente sobre a conjuntura nacional, para viabilizar a união. 

Há, ainda, boa relação com o deputado estadual Cássio Soares, presidente da legenda em Minas e líder de uma das coalizões parlamentares de apoio ao governo estadual na Assembleia Legislativa (ALMG). 

No final de junho, em meio a um café da manhã com jornalistas em Belo Horizonte, Simões revelou ter sinalizado a Kassab que, caso a candidatura de Pacheco não saia do papel ou não aconteça sob a bandeira do PSD, gostaria de iniciar tratativas com o partido para concretizar uma união.

Pacheco, cabe lembrar, tem convites de outras siglas para concorrer ao governo do estado. O ex-presidente do Congresso Nacional, que não bateu o martelo sobre disputar a chefia do Executivo estadual, já recebeu sondagens de legendas como PSB, União Brasil e MDB.

‘Dúvida’ sobre Republicanos

Também no Conexão Empresarial, Simões reconheceu a existência de “dúvida” quanto a uma eventual composição com o Republicanos. A legenda, que abriga o senador Cleitinho Azevedo, engrossa a base aliada ao governo Zema. A pré-candidatura de Cleitinho ao Palácio Tiradentes, entretanto, afasta o partido, ao menos temporariamente, da órbita de eventuais aliados para 2026.

“Fica a dúvida do Republicanos, porque o senador Cleitinho ora fala que é candidato e, nas conversas comigo, diz estar pronto para se sentar e fazer uma composição, mas tenho convicção de que vamos conseguir unificar (a direita)”, indicou.

A aposta de Simões para atrair o Republicanos está na necessidade enxergada por ele de formar uma frente partidária à direita

“Não unificar em Minas seria um risco, porque a gente abriria espaço para a esquerda, que aqui está morta, pudesse lançar alguém com cara de centro para tentar convencer os distraídos”, completou.

Cleitinho, embora ressalte a pré-candidatura, também tem pregado a necessidade de união das forças à direita. No início do mês, em entrevista ao Estado de Minas, o senador tratou do tema utilizando Simões e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) como exemplos. 

“Se Nikolas estiver na frente, a direita tem de estar unida, o que eu e Mateus temos de fazer é apoiar ele. Se eu estiver na frente, acredito que os dois teriam de me apoiar. A mesma coisa com Mateus. Só que na teoria é lindo, mas na hora que chega na prática, não funciona”, apontou.

PP e União Brasil

Ainda no campo da defesa a uma aliança à direita, Simões voltou a citar o desejo de ter o PL e o PP como partidos responsáveis por indicar os candidatos ao Senado Federal de sua chapa. 

“O secretário (de Governo) Marcelo Aro (PP) é o pré-candidato apresentado pela federação PP-União para uma das vagas ao Senado. A outra, espero que fique com o PL de Bolsonaro”, falou.

A hipótese de participar da coligação liderada pelo Novo apontando um postulante ao Senado já foi admitida inclusive por Bolsonaro

“Vamos escolher um — é o que está previsto hoje — candidato ao Senado. Todos estão na parada. O que peço a vocês: quando esse um for escolhido, por critério técnico, que fechem nesse candidato. Vamos fazer no mínimo um (senador) federal nosso pelo PL. O outro (candidato), vamos conversar com Mateus Simões, Zema e outros partidos”, projetou o ex-presidente, no fim do mês passado, durante evento com colegas de partido em BH.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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