Vice-governador de Minas Gerais e pré-candidato à sucessão do correligionário Romeu Zema, Mateus Simões (Novo) disse, nesta sexta-feira (11), ter “certeza” que conseguirá o apoio do PSD na eleição estadual do ano que vem.
A declaração dada durante evento empresarial em Cachoeira do Campo, na Região Central, reforça a busca de Simões por uma aliança com os pessedistas — que, hoje, têm em seus quadros o senador Rodrigo Pacheco, nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar o Palácio Tiradentes.
“Tenho certeza que o PSD vai acabar caminhando conosco. Certeza porque caminham conosco desde o primeiro mandato do governador Romeu Zema. Na reeleição, estavam ao nosso lado. Mesmo tendo um candidato a governador no partido, que era (Alexandre) Kalil, os deputados estavam conosco. Não tem porque o PSD não caminhar conosco”, afirmou, ao participar do Conexão Empresarial.
Nas últimas semanas, Simões tem mandado recados públicos ao PSD em prol de uma aproximação. O vice de Zema aposta na proximidade com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, com quem conversa periodicamente sobre a conjuntura nacional, para viabilizar a união.
Há, ainda, boa relação com o deputado estadual Cássio Soares, presidente da legenda em Minas e líder de uma das coalizões parlamentares de apoio ao governo estadual na Assembleia Legislativa (ALMG).
No final de junho, em meio a um café da manhã com jornalistas em Belo Horizonte, Simões revelou ter sinalizado a Kassab que, caso a candidatura de Pacheco não saia do papel ou não aconteça sob a bandeira do PSD, gostaria de iniciar tratativas com o partido para concretizar uma união.
Pacheco, cabe lembrar, tem convites de outras siglas para concorrer ao governo do estado. O ex-presidente do Congresso Nacional, que não bateu o martelo sobre disputar a chefia do Executivo estadual, já recebeu sondagens de legendas como PSB, União Brasil e MDB.
‘Dúvida’ sobre Republicanos
Também no Conexão Empresarial, Simões reconheceu a existência de “dúvida” quanto a uma eventual composição com o Republicanos. A legenda, que abriga o senador Cleitinho Azevedo, engrossa a base aliada ao governo Zema. A pré-candidatura de Cleitinho ao Palácio Tiradentes, entretanto, afasta o partido, ao menos temporariamente, da órbita de eventuais aliados para 2026.
“Fica a dúvida do Republicanos, porque o senador Cleitinho ora fala que é candidato e, nas conversas comigo, diz estar pronto para se sentar e fazer uma composição, mas tenho convicção de que vamos conseguir unificar (a direita)”, indicou.
A aposta de Simões para atrair o Republicanos está na necessidade enxergada por ele de formar uma frente partidária à direita
“Não unificar em Minas seria um risco, porque a gente abriria espaço para a esquerda, que aqui está morta, pudesse lançar alguém com cara de centro para tentar convencer os distraídos”, completou.
Cleitinho, embora ressalte a pré-candidatura, também tem pregado a necessidade de união das forças à direita. No início do mês, em entrevista ao Estado de Minas, o senador tratou do tema utilizando Simões e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) como exemplos.
“Se Nikolas estiver na frente, a direita tem de estar unida, o que eu e Mateus temos de fazer é apoiar ele. Se eu estiver na frente, acredito que os dois teriam de me apoiar. A mesma coisa com Mateus. Só que na teoria é lindo, mas na hora que chega na prática, não funciona”, apontou.
PP e União Brasil
Ainda no campo da defesa a uma aliança à direita, Simões voltou a citar o desejo de ter o PL e o PP como partidos responsáveis por indicar os candidatos ao Senado Federal de sua chapa.
“O secretário (de Governo) Marcelo Aro (PP) é o pré-candidato apresentado pela federação PP-União para uma das vagas ao Senado. A outra, espero que fique com o PL de Bolsonaro”, falou.
A hipótese de participar da coligação liderada pelo Novo apontando um postulante ao Senado já foi admitida inclusive por Bolsonaro.
“Vamos escolher um — é o que está previsto hoje — candidato ao Senado. Todos estão na parada. O que peço a vocês: quando esse um for escolhido, por critério técnico, que fechem nesse candidato. Vamos fazer no mínimo um (senador) federal nosso pelo PL. O outro (candidato), vamos conversar com Mateus Simões, Zema e outros partidos”, projetou o ex-presidente, no fim do mês passado, durante evento com colegas de partido em BH.
