Aos 45 minutos do segundo tempo, o Samu entrou na pauta do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que cumpre agenda oficial na Região Metropolitana de Belo Horizonte até este sábado (12). No fim da tarde, o ministro encontrou a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde-MG), Núbia Dias, e recebeu, das mãos dela, um ofício reforçando as reivindicações dos trabalhadores. O Samu ameaça greve em 700 municípios mineiros, conforme revelou O Fator.
O sindicato, que não estava na agenda oficial, entrou na pauta após pedido do vereador Bruno Pedralva (PT). De acordo com ele, outras reuniões serão realizadas. O encontro foi realizado na Faculdade de Ciências Médicas.
Entre as solicitações, estão a inclusão dos condutores socorristas no rol de profissionais da saúde, além de rapidez no pagamento do piso da enfermagem. Para a diretora do sindicato, que também é secretária-executiva da Mesa Estadual Permanente de Negociação do SUS-MG, o encontro foi “extremamente positivo”.
“Foi a primeira vez que o grupo do Serviço Móvel de Urgência e Emergência do Estado de Minas Gerais é recebido por um ministro da saúde”, afirmou Núbia..
Prefeitos foram a Brasília
Em maio, prefeitos e representantes de dez consórcios intermunicipais de saúde estiveram em Brasília para cobrar a regularização dos repasses da União para o Samu.
De acordo os gestores, a parte de custeio do serviço móvel de urgência e emergência que cabe à União, de 50%, não tem sido cumprida. Como reflexo, conforme publicou O Fator, o serviço em Minas vai encerrar 2025 com rombo de R$ 56,8 milhões. E pode parar. Eles também solicitaram um reajuste nos valores. O objetivo, entre outros, é melhorar os salários.
Em 9 de junho, um ofício foi enviado ao Ministério da Saúde para ratificar os pedidos. Até esta sexta (12), no entanto, a Pasta ainda não havia emitido resposta.
O que pedem os trabalhadores
Os condutores socorristas do Samu iniciaram a movimentação para paralisar os serviços em Minas Gerais. Eles reinvindicam reajuste salarial e condições de trabalho iguais às dos demais empregados do sistema de urgência e emergência. Hoje, os vencimentos da categoria giram em torno de R$ 1,7 mil mensais, valor considerado defasado por eles e pelos prefeitos.
O grupo também cobra reconhecimento como profissionais da saúde, o que permitiria o acesso a benefícios legais, como aposentadoria especial e gratificações específicas. Para isso, é necessário o avanço de um projeto de lei na Câmara dos Deputados que reconheça formalmente a categoria dentro da estrutura do SUS.
Os trabalhadores da enfermagem aderiram ao movimento paredista no início do mês. Eles denunciam que o piso nacional da enfermagem, cujo repasse é feito pelo Ministério da Saúde, não tem sido pago em dia pelo Estado. O sindicato articula uma reunião com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) na segunda-feira (14) para tratar da regularização dos pagamentos.