O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reagiu publicamente nesta quarta-feira (23) às declarações do governador Romeu Zema (Novo), que o responsabilizou por ter criado “um problema para a direita” em razão da suposta articulação, nos Estados Unidos, para adoção de tarifas sobre produtos brasileiros. A resposta do parlamentar, feita por meio das redes sociais, utilizou tom irônico e incluiu críticas indiretas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a segmentos da elite econômica nacional.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo esta semana, Zema afirmou que a postura de Eduardo Bolsonaro diante do governo Donald Trump teria contribuído para a imposição de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras. Segundo o governador, esse movimento não apenas prejudicou setores da economia brasileira e americana, como também fortaleceu a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em pesquisas eleitorais ao lhe oferecer, nas palavras de Zema, um “fôlego” político.
Durante a entrevista, Zema criticou ainda a condução do presidente Lula no relacionamento bilateral, que avaliou como fonte de atrito com Washington após manifestações públicas durante a cúpula do Brics e aproximações com países como Irã e Cuba. Mesmo assim, o governador avaliou que “a posição que foi adotada não foi a mais correta pelo filho do ex-presidente”, considerando a ação de Eduardo Bolsonaro prejudicial não só ao setor produtivo, mas também ao ambiente da direita brasileira como um todo.
Em resposta, Eduardo Bolsonaro não citou o nome de Zema, mas apontou que críticas têm origem em setores da “turminha da elite financeira”. O parlamentar escreveu: “Enquanto são pessoas simples e comuns as vítimas da tirania, não há problema. Mas mexeu com a sua turminha da elite financeira, daí temos o apocalipse para resolver”, sugerindo que apenas o impacto econômico sobre setores empresariais motivou a reação negativa ao seu posicionamento.
Eduardo também ironizou investigações do Supremo Tribunal Federal: “Deve ter sido eu quem mandou prender velhinhas de 70 anos pelo resto da vida na prisão”, em alusão ao andamento de inquéritos ligados aos eventos de 8 de janeiro de 2023.