Antes de admitir publicamente o interesse em participar de um eventual leilão de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a Aegea já havia sinalizado, a deputados estaduais, a intenção de assumir o setor de abastecimento hídrico no estado. Pelo que apurou O Fator, interlocutores da empresa estiveram na Assembleia Legislativa ao longo do primeiro semestre deste ano para tratar do tema.
Embora a Aegea tenha publicizado o interesse em entrar no leilão, outras empresas também trabalham com a hipótese de participar de uma hipotética concorrência pela Copasa.
O projeto de privatização da companhia de saneamento, enviado pelo governador Romeu Zema (Novo) à Assembleia em novembro do ano passado, ainda não começou a tramitar. Nos bastidores da Casa, a venda da empresa é vista como mais factível que uma eventual desesatatização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
A favor de uma eventual privatização da Copasa, está o fato de o governo federal não ter demonstrado interesse em receber a estatal no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
Assim, uma possibilidade seria a venda da empresa seguida do aporte, na dívida do estado junto à União, dos recursos arrecadados com a transação.
A fala do CEO da Aegea
O interesse da Aegea na Copasa foi admitido na semana passada por Radamés Casseb, CEO da empresa.
“A gente espera ansioso que a complementaridade possa apoiar a jornada da universalização (do saneamento) em Minas Gerais. É um lugar onde a gente deseja muito estar. É uma companhia, assim como a Sabesp, que é referência, com história construída e relação de governança aberta com seus investidores, que é sempre um guia que nos ilumina em termos de referência”, afirmou, em entrevista à IstoÉ Dinheiro.
“A gente espera que a decisão seja tomada, que os modeladores sejam contratados e que essa discussão comece pelas vias públicas tradicionais. (Estamos) ansiosos para ter esse projeto (o leilão) na rua”, completou.
