Reincidência em processos no Conselho de Ética afasta aliados de Janones

Deputado acumula cinco processos de quebra de decoro parlamentar; atual investigação pode levar à cassação do mandato
André Janones
A primeira representação contra André Janones foi apresentada ainda em 2019, quando o mineiro gravou um vídeo criticando os colegas. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A postura combativa nas redes sociais e a série de representações no Conselho de Ética desde que chegou à Câmara desgastaram a imagem de André Janones (Avante-MG) entre os colegas. Segundo parlamentares ouvidos por O Fator, isso ajuda a explicar a falta de mobilização para defendê-lo, mesmo após sua suspensão temporária das atividades parlamentares até outubro.

Amparado no sucesso no ambiente digital e em um discurso contra o velho modo de fazer política, Janones chegou ao Legislativo em 2019 e se tornou alvo constante de processos por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Foram cinco representações de lá pra cá. O número é considerado alto por colegas da Casa, inclusive entre os mais combativos.

A primeira representação foi protocolada ainda em 2019, quando o mineiro gravou um vídeo criticando os colegas. Deputados que acompanharam o caso à época relataram que a abertura do processo teve o objetivo de “educar” o então novato, deixando claro que a popularidade nas redes não substituiria a liturgia exigida no Parlamento. Depois da fritação e pedido de desculpas, o caso foi arquivado.

Já em 2022, ano eleitoral, Janones voltou a ser denunciado por parlamentares da direita. Duas novas representações foram protocoladas, ambas com acusações de disseminação de fake news contra o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados. Os dois pedidos não andaram no Conselho de Ética e, com o fim da Legislatura, acabaram sendo engavetados.

No ano passado, o deputado foi alvo de mais uma representação, desta vez por suspeita de rachadinha em seu gabinete após investigação da Polícia Federal (PF) e de abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso também foi arquivado após acordo político, com apoio de parlamentares da esquerda, em meio à intensificação do embate público entre Janones e Nikolas Ferreira (PL-MG).

E foi justamente essa relação conturbada entre os dois que resultou no mais recente processo, instaurado na terça-feira (5) no Conselho. Antes disso, porém, ele já havia sido afastado de suas funções em 15 de julho, por 90 dias, com base em um novo dispositivo do regimento da Câmara. Segundo a denúncia, o deputado do Avante fez xingamentos de baixo calão e com teor homofóbico contra Nikolas.

A avaliação de bastidores é que, diante desse histórico de reincidência, o isolamento político do deputado se intensificou nos últimos meses. Por isso, neste momento, não há grande disposição entre os pares para defendê-lo no processo atual, que pode resultar na cassação de seu mandato. Uma das frases ouvidas entre os parlamentares é a de que “as confusões de Janones não são mais novidade na Casa”.

Como o deputado já está suspenso até outubro, a tendência é que eventuais articulações em torno de sua defesa só avancem em fases mais próximas da definição do caso. Por ora, deputados governistas indicam que há outras prioridades em curso, como a aprovação de projetos considerados estratégicos para o governo Lula e aproveitar o desgaste com a prisão domiciliar de Bolsonaro.

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