Eleito para o TCE, Tadeuzinho quer ficar na ALMG até o fim do ano e diz que não vai se envolver na disputa pelo governo

Presidente do Parlamento afirma que debates sobre rumos do MDB na disputa pela sucessão de Zema cabem à direção do partido
Tadeu Leite e Leandro Genaro
Tadeuzinho foi eleito para o TCE nesta quarta (4). Foto: Alexandre Netto/ALMG

Eleito nesta quarta-feira (4) para o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), o presidente da Assembleia Legislativa (ALMG), Tadeu Leite (MDB), disse que pretende continuar à frente do Legislativo até o fim do ano. Ele quer conversar com o governador Romeu Zema (Novo) e com o vice-governador Mateus Simões (PSD) a fim de postergar a posse no novo cargo, mas contou já ter sinalizado a intenção à dupla de modo informal.

Tadeuzinho ainda afirmou que não pretende participar dos debates sobre a construção de candidaturas ao governo de Minas. Embora interlocutores da Assembleia sustentem que o sinal verde à indicação ao TCE dá tempo para o presidente da Casa analisar com mais calma sobre uma eventual participação na disputa pela sucessão de Zema, ele indicou que o objetivo é acompanhar o tema “dos bastidores”.

“Continuo, obviamente, aqui na Assembleia, na discussão político-partidária, até o final da minha legislatura, mas não pretendo me envolver diretamente na discussão de disputa majoritária para o governo de Minas”, pontuou.

O deputado estadual salientou que as tratativas a respeito dos rumos do MDB no pleito são liderados pelo presidente estadual do partido, o deputado federal Newton Cardoso Júnior, que tem reunião programada com o senador Rodrigo Pacheco (ainda no PSD) para tratar da conjuntura eleitoral.

A candidatura de Tadeuzinho ao TCE-MG foi referendada pelos parlamentares por unanimidade. A indicação, agora, tem de ser encaminhada ao Palácio Tiradentes. Posteriormente, é preciso que o ato de nomeação seja publicado no Diário Oficial do Executivo. 

Como não há prazo estabelecido para a remessa da correspondência ao Poder vizinho, ele tem caminho aberto para permanecer na Casa até dezembro.

“Minha intenção, vontade e solicitação, vai ser para tomar posse mais para o fim do ano, para concluir a missão que os deputados me deram de presidir a Assembleia até o fim de 2026”, garantiu.

Deputado do PL queria votar em Tadeu para o governo

Durante a sessão em que foi aprovado para compor o TCE-MG, Tadeuzinho recebeu de colegas de Assembleia a sinalização de que apoiariam uma eventual candidatura dele ao governo. O afago veio inclusive de parlamentares do PL, partido que tem indicado não abrir mão de montar um palanque à direita a fim de garantir espaço à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência da República. 

“Fico feliz em ter podido votar em Tadeu Martins Leite (para o TCE), mas o que eu queria mesmo era votar em vossa excelência para o governo do estado”, assinalou o liberal Gustavo Santana, 1° Secretário da Assembleia e filho do ex-deputado José Santana, que é presidente de honra do PL mineiro e assumirá as articulações do diretório estadual em breve, formando dobradinha com o deputado federal Zé Vitor, por ocasião da pré-candidatura do atual líder do diretório, Domingos Sávio, ao Senado Federal. 

Antes de decidir pela candidatura à Corte de Contas, Tadeuzinho vinha sinalizando a aliados a intenção de buscar a reeleição na eleição de outubro. Ele chegou a rechaçar sondagens do PSB para concorrer ao Executivo estadual em uma aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Se vossa excelência fosse candidato a governador do estado, conseguiria convergir os opostos ideológicos desta Casa. Conseguiria fazer com que os espectros mais antagônicos, de direita e esquerda, convergissem, tamanha é a habilidade que tem”, afirmou Sargento Rodrigues, também do PL, em direção a Tadeu.

Nessa terça-feira (3), durante a sabatina que antecedeu a votação em plenário, o chefe do Legislativo também recebeu loas de colegas. Um dos que o elogiou foi Noraldino Júnior, do PSB que o sondou para a disputa majoritária. Ele se referiu ao colega como “o deputado que mais ajuda o governo e a oposição”.

Presidente confirma ‘recálculo’ de rota

O requerimento em que Tadeuzinho oficializou a intenção de concorrer ao TCE-MG foi protocolado na semana passada, após debates com colegas. A participação dele na disputa nasceu a partir do temor de alguns deputados de que uma eventual pulverização de candidaturas prejudicasse o ambiente da Casa.

“De vez em quando, nossos cálculos não são os cálculos de Deus. Ou seja: a gente tem de saber os destinos que Ele coloca. Estava pensando em fazer uma outra construção e aguardando para, quem sabe, ter um pouco mais de tempo para tomar uma decisão com um pouco mais de calma, mas, dado o movimento que aconteceu na Casa, abriu uma vaga (no TCE) e praticamente sete deputados começaram a concorrer. Por um movimento dos candidatos e dos 77 deputados, tivemos que fazer esse recálculo. Com muito orgulho, antecipei a decisão e coloquei o nome à disposição do Tribunal”, explicou.

Partido de Tadeuzinho se distancia de Pacheco

O MDB de Tadeuzinho, aliás, tem sido citado como um possível destino para o senador Rodrigo Pacheco em caso de candidatura ao governo. Como a reportagem mostrou mais cedo, contudo, o ex-presidente do Congresso recuou da ideia de embarcar na sigla.

Pacheco pretende comunicar a decisão nesta quarta-feira a Newton Júnior. O encontro também terá a presença de Gabriel Azevedo, alçado ao posto de pré-candidato do MDB mineiro ao governo no fim do ano passado.

Conforme apurou a reportagem, Pacheco dirá aos líderes da legenda que respeita a pré-candidatura de Azevedo, de quem é amigo, ao governo estadual. Também quer afirmar que ainda não definiu se disputará o comando de Minas, mas que o MDB, justamente por já ter um pré-candidato, não pode ser alternativa de filiação neste momento.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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