A Fundação Ezequiel Dias (Funed), responsável pela produção de soros antipeçonhentos, contratou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para conduzir um estudo que pode culminar na mudança da personalidade jurídica da instituição. Hoje caracterizada como fundação autárquica de direito público, a Funed, que está ligada à estrutura do governo de Minas Gerais, cogita a remodelagem a fim de facilitar processos como compras e licitações.
Pelo que O Fator apurou, o acordo com a FGV foi fechado no último dia 4. Em maio, a reportagem noticiou que a Funed havia aberto uma licitação para encontrar interessados em produzir a avaliação. O contrato terá custo de aproximadamente R$ 3,6 milhões.
A expectativa é que os estudos da FGV, iniciados neste mês, durem até agosto do ano que vem. Um dos objetivos almejados a reboque da remodelagem da instituição é o aprimoramento do portfólio de medicamentos produzidos na planta da Funed em Belo Horizonte.
Presidente da Funed desde março de 2023, o ex-deputado estadual Felipe Attiê confirmou a contratação da FGV.
“A iniciativa busca uma nova personalidade jurídica para a Funed capaz de permitir tanto a contratação rápida de mão de obra altamente especializada, como a construção, a realização de obras e a compra de insumos de forma bem mais ágil, exigência indispensável para o funcionamento de uma indústria farmacêutica”, disse.
Licitação concorrida
O pregão que culminou na vitória da FGV foi concorrido. Entidades como a Fundação Dom Cabral (FDC) e a Fundação Albert Einstein também demonstraram interesse em tocar os trabalhos.
A proposta de valor mais alto encaminhada à Funed ao longo do processo licitatório foi de R$ 12 milhões.
A ideia de mudar a personalidade jurídica da Funed vem sendo debatida internamente desde o ano retrasado. Uma das inspirações da entidade mineira é o Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe), em Recife. O complexo funciona como empresa pública, o que desburocratiza os processos necessários para a aquisição de insumos.
Soros de volta
A produção de soros na Funed foi retomada em março deste ano, após um hiato de quase nove anos. A reinauguração da fábrica em BH permitiu que técnicos voltassem a atuar na fabricação de fórmulas que podem ser administradas por médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem para conter os efeitos de envenenamento por animais como cobras e escorpiões.
