A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) revelou que 95,9% das famílias endividadas em Belo Horizonte possuem dívidas no cartão de crédito. O dado destaca o papel central dessa modalidade no orçamento dos consumidores da capital mineira, acompanhando o avanço geral do endividamento, que atingiu 88,4% dos lares no período analisado.
A pesquisa, realizada com moradores adultos de Belo Horizonte em julho deste ano, mostra ainda um crescimento no índice de inadimplência: 57,7% das famílias estão com contas em atraso, uma elevação de 4,3 pontos percentuais em relação a junho. A preocupação com a saúde financeira dos domicílios é reforçada por outro dado: 20,2% das famílias acreditam que não terão condições de pagar suas dívidas atrasadas no próximo mês, índice ainda mais alto entre famílias com renda de até dez salários mínimos (21,5%).
O levantamento identifica o cartão de crédito como o principal vetor do endividamento familiar. Dos consumidores endividados, apenas 0,4% afirmam não ter dívidas nesta modalidade. Outras formas de crédito, como carnês de loja (26,3%), crédito pessoal (12,4%), financiamento de carros (8,9%) e de imóveis (6,7%), aparecem em proporções significativamente menores, o que evidencia a centralidade do cartão de crédito no comprometimento financeiro da população.
O uso disseminado deste meio de pagamento preocupa pela taxa anual de juros do rotativo, que, segundo a pesquisa, chega a 470,8% ao ano.
Composição do endividamento
A Peic classifica o nível de endividamento segundo a percepção dos próprios consumidores:
- 16,3% se consideram muito endividados,
- 26,2% mais ou menos endividados,
- 45,9% pouco endividados,
- 11,6% sem dívidas.
O índice de endividamento atinge 89,3% dos lares com renda de até dez salários mínimos. Entre famílias com renda superior, o percentual é de 82,4%.
Inadimplência
O aumento da inadimplência ocorre em todas as faixas de renda. Entre as famílias de até dez salários mínimos, 59,3% têm contas em atraso. Entre as de renda superior, o índice é de 47,6%. No universo de lares endividados, 65,2% estão com pagamentos atrasado.
O tempo de atraso é outro fator relevante: 40,4% das famílias com dívidas informam atraso superior a 90 dias, enquanto o tempo médio de inadimplência é de 59,8 dias. Esse número chega a 60,7 dias para rendas mais baixas.
Dentre as famílias inadimplentes, 35,0% declararam que não conseguirão regularizar os débitos no mês seguinte.
Comprometimento e impacto na renda
O levantamento aponta que 82,0% das famílias têm mais de 10% da renda comprometida com dívidas, sendo que para 20,5% delas as dívidas já superam metade do orçamento mensal. O valor médio nacional de comprometimento é de 30,8% da renda.
O período de comprometimento financeiro também é significativo: grande parte das famílias tem obrigações por pelo menos três meses, e 77,7% estão comprometidas por mais de 90 dias. O tempo médio de comprometimento é de 7,4 meses.
A Peic 07/2025 entrevistou pelo menos 1.000 consumidores de Belo Horizonte, todos maiores de 18 anos. O levantamento assegura precisão estatística com margem de erro de 3,5% sob intervalo de confiança de 95%. As entrevistas são conduzidas sempre nos últimos dez dias do mês anterior à divulgação dos resultados, garantindo que os dados reflitam a situação mais recente possível.