A política rasa que belisca o povo mineiro

O governador Romeu Zema
Zema participou da edição desta semana do 'Roda Viva'. Foto: TV Cultura/Reprodução

De “sim, eu ouvo” a “eu não sou beliscoso”, passando pelo constrangimento de não conhecer Adélia Prado, de não saber o que é a Funed ou de recomendar banana com casca, o governador Romeu Zema coleciona frases que, no mínimo, causam espanto. Essas gafes, no entanto, não são simples deslizes de linguagem. São o reflexo de um governo que age na superfície, que não aprofunda, que não conhece a terra e a cultura que deveria defender.

Do meme ao prejuízo concreto

Por trás da anedota, o povo mineiro sofre com decisões graves:

Lei Kandir: Minas aceitou um acordo desastroso que perpetua perdas bilionárias para o estado.

Patrimônio público à venda: prédios da SEF-MG, da CAMG, da Uemg e até o Hospital Risoleta Neves são listados como “ativos” a serem negociados, ignorando seu papel estratégico para a educação e a saúde pública.

Rodovias privatizadas: pedágios caros sem contrapartida de melhorias.

Gestão de pessoal: sucateamento da máquina pública, servidores desmotivados e serviços essenciais em queda de qualidade.

Renúncia fiscal: incentivos concedidos sem transparência, drenando bilhões que poderiam financiar políticas públicas.

Êxodo de auditores fiscais: mais de 100 profissionais deixaram a Secretaria da Fazenda de Minas, em busca de estados menos “beliscosos”, enfraquecendo o combate à sonegação e gerando prejuízo direto à arrecadação.

O risco de rir para não chorar

Enquanto a imprensa e as redes sociais riem do “beliscoso”, o governo belisca de verdade a população: corta, vende, precariza, e entrega riquezas sem retorno. Minas se apequena quando seu governante prefere frases improvisadas a políticas consistentes.

A síntese

Zema pode até não ser belicoso. Mas sua gestão é beliscosa: belisca o bolso do contribuinte nos pedágios, belisca o futuro da educação com a Uemg, belisca a saúde com o Risoleta Neves, belisca a pesquisa com a Funed, belisca os servidores com congelamentos, belisca a Fazenda com a perda de auditores fiscais e belisca Minas com acordos malfeitos.

E assim, entre “ouvir” errado e falar errado, quem sente o beliscão é o povo mineiro.

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