O comércio varejista restrito de Minas Gerais registrou queda de 1,1% em julho na comparação com junho, desempenho inferior ao brasileiro, que recuou 0,3%. A diferença de 0,8 ponto percentual evidencia maior fragilidade do setor no estado frente ao cenário nacional, conforme dados da Pesquisa Mensal do Comércio divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
No varejo ampliado, que incorpora automóveis e materiais de construção aos bens de consumo tradicionais, Minas registrou avanço de 0,3%, resultado também inferior ao crescimento nacional de 1,3%.
Farmácias impulsionam resultado anual
O cenário se inverte na análise anual. Em julho de 2025, comparado ao mesmo mês do ano anterior, o varejo restrito mineiro cresceu 1,2%, superando o índice nacional de 1%. O movimento foi liderado pelas vendas de artigos farmacêuticos, que dispararam 11,2%.
O setor editorial também mostrou vigor, com livros, jornais, revistas e papelaria registrando expansão de 9,8%. Outros segmentos contribuíram positivamente: artigos de uso pessoal e doméstico (2,5%), móveis e eletrodomésticos (2%) e combustíveis e lubrificantes (1,5%).
Na contramão, equipamentos para escritório despencaram 50,7%, configurando o único segmento com retração no período.
No Brasil, o varejo restrito avançou 1% em julho, mas o ampliado recuou 2,5%. Artigos farmacêuticos (3,8%), móveis e eletrodomésticos (3,2%) e produtos alimentícios e fumo (0,4%) sustentaram o crescimento nacional.
Acumulado
No acumulado de janeiro a julho, o varejo restrito mineiro acumula crescimento de 1,8%, ligeiramente superior aos 1,7% nacionais. O varejo ampliado apresenta queda de 0,5% no estado, resultado menos negativo que a retração nacional de 0,2%.
Produtos alimentícios, bebidas e fumo lideram o crescimento acumulado em Minas com 1,6%, seguidos por artigos farmacêuticos (3,9%), tecidos, vestuário e calçados (3,6%) e artigos de uso pessoal e doméstico (3,5%).
Equipamentos para escritório mantém trajetória descendente, acumulando queda de 41,2% no período – a maior retração entre todos os setores analisados.
Selic em patamar histórico pressiona futuro
Para 2025, a Fiemg projeta crescimento de 1,6% no varejo restrito mineiro, taxa ligeiramente superior à estimativa nacional de 1,5%. As projeções consideram a manutenção da Selic em 15%, maior patamar desde 2006.
Segundo análise da federação, a política monetária restritiva encarece o crédito e inibe investimentos e consumo. Soma-se a isso a inflação acima do teto da meta, que corrói o poder de compra das famílias.
Como fatores de sustentação da demanda no curto prazo, a Fiemg destaca o mercado de trabalho aquecido e os pagamentos de precatórios pelo governo federal.