A secretária de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais, Alê Portela (PL), bateu ponto na Assembleia Legislativa (ALMG) nessa quinta-feira (25). Deputada estadual licenciada, ela acompanhou dos bastidores a audiência pública que ouviu a secretária Marília Melo (Meio Ambiente) e o controlador-geral Rodrigo Fontenelle, sobre os desdobramentos da Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na semana passada.
O Fator apurou que Alê compareceu à Casa a fim de dar apoio aos colegas — especialmente a Marília Melo. A dupla ouvida pelos parlamentares defendeu as investigações sobre supostas fraudes em licenciamentos ambientais e garantiu que o Executivo estadual atua para fortalecer a transparência dos processos que culminam na concessão de autorizações a empreendimentos minerários.
Por causa da Operação Rejeito, quatro servidores ligados a entidades estaduais do Meio Ambiente foram afastados das funções. Ao prestar contas aos parlamentares, Marília disse que os crimes apontados pela PF constituem um problema localizado .
“Quase 2 mil servidores do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) trabalham diuturnamente com esforço e ética, e não podem ser manchados pelo desvio de conduta de poucas pessoas”, pontuou.
A ida de Marília Melo, aliás, alterou a dinâmica da Assembleia Legislativa. Ameaçada pelo ex-deputado João Alberto Lages, preso preventivamente em razão da operação, ela tem sido escoltada pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope). Diante disso, houve, a fim de viabilizar a audiência, reforço nos protocolos de segurança do Parlamento.
Os meandros do caso
O esquema de fraudes em licenciamentos envolveria, de acordo com a investigação, o pagamento de propina a servidores da pasta estadual de Meio Ambiente, da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), da Agência Nacional de Mineração (ANM), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) e do Instituto Estadual de Florestas (IEF).
A PF calcula que os projetos controlados pelo grupo poderiam gerar ganhos ilícitos de aproximadamente R$ 18 bilhões. Os empreendimentos minerários avançavam, diz a corporação, mediante pagamento de propina e manipulação de processos administrativos, incluindo projetos em áreas ambientalmente sensíveis como a Serra do Curral, na Grande Belo Horizonte, e a Serra do Botafogo, em Ouro Preto, na Região Central.
