A defesa do ex-presidente do Cruzeiro, Wagner Pires de Sá, disse à Justiça que uma perícia judicial não localizou nos computadores do ex-dirigente os documentos que embasam as acusações do Cruzeiro contra ele.
O clube acusa Wagner Pires de Sá e outros ex-dirigentes de desviar R$ 6,8 milhões durante sua gestão, entre 2017 e 2019.
Segundo o laudo pericial enviado à Justiça, o perito analisou quatro HDs de computadores de Wagner que foram apreendidos e não encontrou nenhum dos arquivos mencionados na denúncia. A defesa do ex-presidente é conduzida pelo advogado Marcos Aurélio de Souza Santos.
A perícia identificou três pontos principais: a pasta “Cristiano Richard” citada na denúncia não existe no material analisado; os documentos “Carta Compromisso Patrick” e “Carta Compromisso Cristiano Richard” não foram encontrados; e o “Contrato de Mútuo”, mencionado na acusação, não foi localizado. A perícia foi feita pelo perito Marcos Monteiro.
Os documentos em questão foram anexados pela defesa do Cruzeiro no processo, embora não tenham sido encontrados no computador de Wagner.
A investigação da Polícia Civil aponta simulação na compra de um apartamento de Wagner. Os valores teriam sido repassados por meio de negócio simulado envolvendo Cristiano Richard dos Santos Machado, que teria vínculos com empréstimos ao Cruzeiro.
A defesa de Wagner pediu à Justiça que a Polícia Civil apresente os computadores e HDs que contenham as evidências mencionadas na denúncia. O documento solicita nova perícia com presença do assistente técnico da defesa.
O laudo destaca que os documentos citados na denúncia estariam no servidor do Cruzeiro, não nos HDs analisados. Nenhum dos equipamentos periciados teve origem na sede administrativa do clube.
Wagner Pires de Sá responde ação penal na 7ª Vara Criminal de Belo Horizonte por formação de quadrilha e falsidade ideológica. O processo tramita em segredo de justiça.