A deputada federal Greyce Elias (Avante-MG) estará entre as participantes de uma marcha evangélica em São Paulo marcada para 25 de outubro, a exatamente um ano do 2º turno da eleição de 2026. O movimento ‘A Million Women’ (um milhão de mulheres) é liderado pelo pastor americano Lou Engle, que já organizou pelo menos um mega show no Brasil.
Realizado em fevereiro de 2020 em três estádios de futebol ao mesmo tempo – um em Brasília e dois em São Paulo – o ‘The Send’ teve um discurso do então presidente Jair Bolsonaro.
As versões do site do ‘A Million Women’ em inglês e português são bem diferentes.
A versão em inglês deixa bem claro o propósito da marcha.
“Quando altares demoníacos desabam, precisamos preencher o vazio reconstruindo o Altar do SENHOR em seu lugar (…) A Million Women apresenta um convite para nos unirmos como o exército de mulheres do Salmo 68 no lugar de intercessão para lutar por nossos entes queridos LGBTQIA+ e pelas gerações futuras”, diz o texto em inglês. O Salmo 68 começa com o versículo “Levante-se Deus, e sejam dissipados os seus inimigos; fugirão de diante dele os que o odeiam.”
“Na revolução contracultural dos anos 60”, acrescenta o site americano, “quando milhões de jovens estavam sendo afogados na rebelião ideológica, sexual e relacionada às drogas, um milhão de mães clamaram por seus filhos. E Deus respondeu. (…) Pode uma nação ser salva em um dia?”.
A versão brasileira omite completamente o termo LGBTQIA+, concentrando-se em dizer que “homens e mulheres se reunirão em São Paulo para um clamor de arrependimento e proclamação do nome de Jesus sobre esta terra”.
Em ambos os sites, os fiéis são comparados a Ester e Mardocai (ou Mardoqueu), protagonistas do livro de Ester.
No relato do Antigo Testamento, Ester (antes chamada Hadassa) era casada com o rei Assuero da Pérsia. Ester tinha sido adotada pelo tio, Mardoqueu.
Por ordem de seu tio, Ester mantinha sua identidade judia em segredo.
Hamã, um ministro do rei, convence Assuero a mandar matar os judeus no reino. Para salvar o próprio povo, Ester então revela que é judia, e o rei manda que Hamã seja enforcado – na mesma forca que o ministro tinha preparado para Mardoqueu. Em seguida, o rei concede “aos judeus, que havia em cada cidade, que se reunissem, e se dispusessem para defenderem as suas vidas, e para destruírem, matarem e aniquilarem todas as forças do povo e da província que viessem contra eles, crianças e mulheres, e que se saqueassem os seus bens”. Assim, “também os demais judeus que se achavam nas províncias do rei se reuniram e se dispuseram em defesa das suas vidas, e tiveram descanso dos seus inimigos; e mataram dos seus inimigos setenta e cinco mil”.
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