Exclusivo: INSS esconde ata de reunião com CGU antes da Sem Desconto

Documento lido pelo relator da CPMI na segunda passada (13) não foi encontrado dias depois pelo INSS
Alfredo Gaspar lê ata na CPMI do INSS
Alfredo Gaspar lendo ata na CPMI do INSS: instituto diz não ter encontrado o documento. Reprodução/TV Câmara/YouTube

A presidência do INSS afirmou não ter localizado ata de uma reunião com a CGU que antecedeu a Operação sem Desconto e discutiu os indícios de fraude nos descontos associativos – apesar de trechos dessa mesma ata terem sido lidos publicamente pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar.

A resposta do INSS foi enviada a O Fator via Lei de Acesso à Informação na sexta passada (17), quatro dias depois da audiência da CPMI com o ex-presidente Alessandro Stefanutto. Foi nessa reunião que Gaspar exibiu para as câmeras, e leu trechos, da ata.

Despacho da presidência do INSS, assinado na quinta passada (16), depois da sessão da CPMI em que trechos da ata foram lidos. Fonte: INSS/via LAI.

A “Reunião de Busca Conjunta de Soluções” foi realizada em 9 de agosto de 2024, uma sexta-feira. O local foi o gabinete do presidente do INSS, como consta em nota técnica

Trecho da Nota Técnica nº 48/2024/CGPAG/DIRBEN-INSS mostrando local da reunião. Fonte: INSS/via LAI.

Em 16 de agosto, a sexta-feira seguinte, a Coordenação-Geral de Pagamento de Benefícios do INSS produziu nota técnica com respostas às conclusões da auditoria da CGU – uma prova, portanto, de que o INSS sabia desses problemas na época.

Trecho da mesa Nota Técnica nº 48/2024/CGPAG/DIRBEN-INSS citando auditoria da CGU. Fonte: INSS/via LAI.

“Quanto aos pontos destacados, especialmente, considera-se válido consignar que o importante trabalho de avaliação realizado pela CGU, conduzido a partir da segunda quinzena de abril de 2024, iniciou-se quando já em curso um pleno processo institucional de revisão e robustecimento dos fluxos e controles dos descontos associativos, viabilizado com o lastro normativo da publicação da Instrução Normativa PRES/INSS nº 162, de 14 de março de 2024. Ou seja, por impulso próprio e planejado de aperfeiçoamento da gestão ou mesmo em decorrência do quanto percebido e compromissado no âmbito de inspeção pregressa do Tribunal de Contas da União – TCU, é sabido que o INSS vem em progressiva implementação de medidas de mitigação dos riscos identificados”, diz a nota técnica do INSS.

“Temos que, em alguns aspectos, o relatório [da CGU] retrata um cenário defasado quanto aos processos e produtos atuais, os quais já foram contemplados com diversas evoluções”, acrescenta o texto.

A nota técnica é assinada por Jucimar Fonseca da Silva e Vanderlei Barbosa dos Santos – ambos afastados do cargo, meses depois, pela Operação sem Desconto. Vanderlei era diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão, e Jucimar era coordenador-Geral de Pagamento de Benefícios.

Alessandro Stefanutto, que presidia o INSS na época, falou na segunda passada (13) à CPMI. Ele não demonstrou surpresa quando Gaspar leu trechos da ata da reunião.

Stefanutto afirmou ao relator: “Nós só pedimos à CGU uma coisa, senhor relator: nos mostrem a metodologia. Porque a medida era extrema, e, se era necessário – e era necessária – por que não nos mostraram a metodologia?”.

Ele acrescentou, em resposta ao deputado Luiz Lima: “[A]cho que o INSS tem essa ata”.

Procurada por O Fator, a assessoria de imprensa do INSS não respondeu por que o instituto disse não ter encontrado a ata.

A assessoria de imprensa de Alfredo Gaspar não conseguiu fornecer imediatamente cópia da ata e disse que vai averiguar se o documento é sigiloso.

O Fator não conseguiu localizar a ata entre os documentos públicos oficialmente recebidos pela CPMI.

Trechos da ata foram publicados em 2 de outubro por O Antagonista.

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