O reforço do Centrão à campanha de Odair Cunha ao TCU

Ao contrário de outros integrantes do partido, mineiro é bem avaliado por líderes de legendas de direita, inclusive na oposição
Odair e Motta
O presidente da Câmara, Hugo Motta, é o principal "cabo eleitoral" de Odair Cunha para o TCU. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O deputado federal Odair Cunha (PT-MG) conta com um importante aliado nas articulações para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas da União (TCU) no primeiro semestre de 2026. Pelo que apurou O Fator, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), atua junto a colegas de Congresso Nacional para viabilizar, ainda neste ano, a indicação do petista.

Uma das contrapartidas para o apoio do PT à candidatura de Motta à presidência da Câmara foi a indicação da sigla para a vaga aberta na Corte de Contas. O presidente da Casa firmou o compromisso e tenta cumpri-lo, apesar da pressão de outros grupos políticos por indicações próprias.

Odair é visto como um dos principais homens de confiança de Motta e atua, com frequência, como elo entre lideranças do Centrão e o governo federal. Seja nas viagens oficiais do presidente da Câmara ou nas reuniões na Residência Oficial, o petista costuma estar presente, integrando o grupo de apoio mais próximo ao paraibano.

Diferentemente de outros integrantes do partido, o deputado é bem avaliado por líderes de legendas do centro e da direita. Odair, inclusive, foi um dos poucos parlamentares de esquerda que votaram a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da blindagem, aprovada pela Câmara em setembro e posteriormente arquivada pelo Senado.

O cenário, no entanto, foi alterado nas últimas semanas. Isso porque o governo federal decidiu demitir afilhados de deputados do centrão que ajudaram a derrubar a Medida Provisória (MP) 1.303, que garantiria ao Tesouro Nacional cerca de R$ 30 bilhões. A insatisfação de parlamentares com essa retaliação tem respingado na indicação de Odair para o TCU.

Dentro do PT

O interesse de Odair pela vaga no TCU é antigo e amplamente conhecido. Em fevereiro, ele viu sua então principal concorrente, a deputada licenciada Gleisi Hoffmann (PR), ser indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para chefiar o Ministério das Relações Institucionais. Outro nome considerado competitivo era o do deputado Carlos Veras (PT-PE).

Ele, no entanto, assumiu a Primeira Secretaria da Mesa Diretora e perdeu o lugar na fila. Além disso, Veras enfrenta um desgaste recente por causa da investigação que envolve seu irmão, Aristides Veras dos Santos, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag). A entidade é citada em apurações sobre fraudes no INSS.

Saindo de cena

A disputa no TCU tem como foco a cadeira do ministro Aroldo Cedraz, que deixará o cargo em fevereiro do ano que vem, ao completar 75 anos, idade-limite para permanência na Corte. Depois da aposentadoria de Cedraz, a próxima vaga só deverá ser aberta em outubro de 2027, quando o ministro Augusto Nardes atingirá o tempo para aposentadoria compulsória.

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