Os motivos da apreensão do PT e de partidos aliados com Pacheco

Enquanto senador não oficializa sua pré-candidatura, nomes como Gabriel Azevedo e Marília Campos são ventilados
Rodrigo Pacheco em audiência pública no Senado Federal
Pacheco ainda não se pronunciou oficialmente sobre candidatura ao governo. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A falta de um anúncio oficial da candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB) ao governo de Minas Gerais deixa parte da federação formada por PT, PV e PCdoB apreensiva. Nos bastidores, o nome dele é visto como única via possível para evitar uma vitória direitista nas urnas. Ainda assim, uma ala da aliança avalia que a inércia atual pode complicar ainda mais a vida de um eventual plano B, caso necessário, além de dificultar a própria campanha de Pacheco.

O senador é tratado como prioridade para encabeçar uma chapa ao Executivo estadual por sua capacidade de aglutinação. Ele é avaliado como uma figura capaz de atrair votos do eleitorado mais conservador e possui boa relação com prefeitos e outras lideranças do interior, característica que poderia, inclusive, impulsionar a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.

Na avaliação de interlocutores, esses dois trunfos não são encontrados em outros possíveis palanques para o presidente Lula (PT) em Minas. Há reservas quanto ao alinhamento político do ex-vereador de BH, Gabriel Azevedo (MDB); e quanto ao temperamento do ex-prefeito da capital, Alexandre Kalil (PDT), entendido como nome menos competitivo entre as alternativas a Pacheco. 

Uma eventual candidatura da ex–prefeita de Contagem Marília Campos (PT) é vista com ótimos olhos, mas ela já deu reiteradas demonstrações públicas de que não pretende abrir mão de disputar o Senado Federal.

Por isso, mesmo com a apreensão em torno da estagnação de Pacheco, a maior parte da federação liderada pelo PT defende aguardar uma definição dele, ainda que em meio aos riscos citados.

Acordo por vice

Outra dúvida que persiste nos bastidores diz respeito a um eventual vice de Pacheco. Há a percepção de que o senador já costurou um acordo com Lula para ter a prerrogativa de indicar o postulante ao cargo de vice-governador caso a chapa ganhe vida. Em 2022, coube ao PT apontar o companheiro de chapa de Kalil, que deu palanque à chapa lulista. O escolhido foi André Quintão.

A maior possibilidade de momento é de que este vice seja da mesma linha política de Pacheco: alguém de centro, mais afastado da polarização que marca o país nos últimos anos. “Seria uma chapa avermelhada”, afirma uma fonte.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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