O que Lula quer conversar com Pacheco após decidir por Messias no STF

Aliados avaliam que indicação de Messias ao STF pode desestimular Pacheco a disputar o governo de Minas
Nos bastidores, é dado como certo que Rodrigo Pacheco foi preterido por Lula para a vaga deixada por Barroso no STF. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende se reunir com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) antes de anunciar oficialmente o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com interlocutores ouvidos por O Fator, o encontro deve ocorrer após o retorno do presidente de sua viagem à Ásia, na próxima terça-feira (28).

A conversa tem dois objetivos principais. O primeiro é explicar pessoalmente a escolha de Messias, com quem Lula mantém uma relação de confiança e de longa data. O segundo, e considerado mais importante pelo Planalto, é convencer Pacheco a disputar o governo de Minas em 2026. O Fator apurou que o senador não está tão animado para entrar na corrida estadual.

Antes de embarcar para o continente asiático, Lula sinalizou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que decidiu indicar Messias para a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. A decisão foi comunicada durante jantar no Palácio da Alvorada na segunda-feira (20). A informação é do jornal ‘O Estado de S.Paulo’.

A escolha contraria a expectativa de Alcolumbre, principal aliado de Pacheco na articulação por uma vaga no STF. O presidente do Senado avalia que o senador mineiro seria um nome mais forte para a Corte, com maior trânsito no Congresso. Como já mostrou O Fator, Alcolumbre atuava pela indicação de Pacheco.

Segundo aliados do governo, a decisão por Messias está ligada ao fato de o advogado-geral da União já ter sido preterido em outras duas oportunidades para o Supremo, quando o petista indicou Flávio Dino e Cristiano Zanin. Lula também quer demonstrar que a indicação atende a critérios pessoais.

Estratégia para Minas

Na conversa com Pacheco, Lula deve apresentar razões pelas quais considera estratégico que o senador entre na disputa pelo governo mineiro. Entre os argumentos, segundo fonte ouvida pela reportagem, está a necessidade de fortalecer o palanque do PT em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.

O presidente deve lembrar que já lançou uma série de programas sociais com potencial de impacto no estado e que sua recente alta na popularidade pode favorecer candidaturas aliadas.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), justificou à imprensa que Lula está convencido de que Pacheco seria o melhor nome para a disputa estadual. “O presidente continua convencido que o melhor nome para disputar o governo de Minas é o Rodrigo. Óbvio que ninguém é candidato imposto, mas ele não pode dizer que quer o cara como governador e ao mesmo tempo tirar o cara do jogo. Fica complicado”, afirmou.

Aliados de Pacheco, porém, afirmam que a confirmação de Messias para o STF tende a desestimular o senador a concorrer. O cenário se complica com a filiação do vice-governador Mateus Simões ao PSD, marcada para o dia 27, justamente para que ele dispute a sucessão de Romeu Zema (Novo). Simões contará com o apoio da máquina estadual.

Se decidir disputar o governo de Minas, Pacheco terá de buscar outro partido, já que o PSD acelerou a filiação de Mateus Simões. Nos bastidores, é dito que a movimentação foi articulada por Gilberto Kassab para marcar posição de que não pretende apoiar Lula nas eleições presidenciais de 2026.

Entre as siglas interessadas em atrair o senador estão PSB e MDB. O União Brasil também acenou positivamente, sobretudo por articulação de Alcolumbre. Um dos entraves, porém, é a federação partidária entre União e PP, que filiou o secretário de Governo de Zema, Marcelo Aro, que é pré-candidato ao Senado.

Licença para Petrobras no Amapá

A propósito, na segunda-feira (20), o governo federal concedeu uma vitória importante a Alcolumbre. Após anos de tramitação, o Ibama liberou a licença de operação à Petrobras para perfurar um poço exploratório no bloco FZA-M-059, em águas profundas do Amapá. O local fica a 530 quilômetros de Macapá, a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas e a 175 quilômetros da costa.

A exploração na Margem Equatorial era uma das principais bandeiras de Alcolumbre, senador pelo Amapá e potencial candidato a governador do estado em 2026. A autorização ocorre em um momento estratégico, às vésperas da Conferência do Clima (COP-30) da ONU, que será realizada em Belém a partir de 10 de novembro.

Em troca, Alcolumbre tem demonstrado disposição para adiar a sessão do Congresso que pode derrubar os vetos de Lula ao projeto que flexibiliza as regras para o licenciamento ambiental. O governo tem feito esforços para evitar uma derrota no tema antes da conferência climática.

Depois que for formalizada, a indicação de Messias ao STF precisará passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e pelo plenário da Casa. Em 2021, no governo Jair Bolsonaro, Alcolumbre – então presidente da CCJ – adiou por quase cinco meses a sabatina de André Mendonça no colegiado por não concordar com a escolha. Interlocutores do presidente afirmam não acreditar que ele usará o mesmo método com Lula.

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