A condição do PL mineiro para se aliar a Simões em 2026

Vice-governador aposta em mudança para o PSD como trunfo para viabilizar coalizão com partido de Jair Bolsonaro
Domingos Sávio, Mateus Simões e Jair Bolsonaro
Agora no PSD, Mateus Simões mira aliança com o PL de Bolsonaro. Foto: Divulgação

De saída do Novo para o PSD, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, quer aproveitar a mudança partidária para fortalecer as conversas com PL e Republicanos a fim de formar uma frente ampla à direita em torno de sua pré-candidatura à sucessão de Romeu Zema. Na legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, a possibilidade de união a Simões não é descartada, mas uma eventual composição é condicionada à concessão de espaço na chapa.

“O PL é um partido nacional. Temos uma responsabilidade com o futuro de Minas e do Brasil. Portanto, podemos fazer aliança se o partido for valorizado e contemplado no projeto ou podemos lançar candidato próprio”, diz, a O Fator, o deputado federal Domingos Sávio, presidente do diretório liberal no estado.

A prioridade da direção nacional do PL para as disputas locais do ano que vem é eleger senadores. Em Minas Gerais, além do próprio Domingos Sávio, são cotados para disputar a Casa Alta do Congresso Nacional nomes como os deputados federais Eros Biondini e Zé Vitor e o deputado estadual Cristiano Caporezzo. O influenciador Marco Antônio Costa, chamado de “Superman”, também almeja a indicação.

Em 2026, estarão em jogo duas vagas na disputa pelo Senado. Nos bastidores, o PL não ignora a possibilidade de lançar uma dupla de concorrentes. Em junho, porém, durante evento com Simões, Bolsonaro indicou que o partido pode escolher apenas um postulante ao Senado, para fazer dobradinha com outro nome à direita, mas indicado por uma legenda aliada.

“Vamos escolher um — é o que está previsto hoje — candidato ao Senado. Todos estão na parada. O que peço a vocês: quando esse um for escolhido, por critério técnico, que fechem nesse candidato. Vamos fazer no mínimo um (senador) federal nosso pelo PL. O outro (candidato), vamos conversar com Mateus Simões, Zema e outros partidos”, projetou, à ocasião.

Na visão de Domingos Sávio, ainda é cedo para cravar os rumos que o PL mineiro tomará.

“O jogo ainda não começou. Isso é só uma fase preparatória. O time ainda não está escalado”, assinalou.

Simões intensifica busca por alianças

O embarque de Mateus Simões no PSD está agendado para a segunda-feira (27), em ato de filiação em Belo Horizonte. No domingo (20), ao anunciar a filiados ao Novo a decisão de se mudar à agremiação de Gilberto Kassab, o vice de Zema pregou a necessidade de “convergência” com agremiações à direita.

“O cenário atual exige um movimento firme e responsável de convergência. É hora de reunir forças, ampliar pontes e garantir que PSD, Novo, a federação PP/União Brasil e partidos que sempre estiveram conosco, como Podemos, Solidariedade, PRD, Mobiliza e DC, estejam juntos em torno de um mesmo propósito. Seguimos também abertos ao diálogo com o PL e os Republicanos”, defendeu.

No que tange ao governo mineiro, um dos nomes citados por interlocutores do PL como possível representante do partido é o do deputado federal Nikolas Ferreira. 

Como O Fator já mostrou, no entanto, o parlamentar sinalizou resistência a encabeçar um palanque para o Executivo estadual por causa, sobretudo, da situação fiscal de Minas, que lida com uma dívida superior a R$ 170 bilhões junto à União. Nikolas, cabe lembrar, tem boa relação com Simões.

Equação para acomodar aliados

Chapas majoritárias completas têm quatro vagas para o ano que vem — governador, vice-governador e dois candidatos ao Senado. Há, ainda, dois suplentes para cada um dos concorrentes à Casa Alta.

Na conjuntura de momento, um dos favoritos para disputar o Senado na coalizão de Simões é o secretário de Estado de Governo de Minas Gerais, Marcelo Aro, do PP, partido que forma federação com o União Brasil.

O Novo também pleiteia espaço na chapa. A hipótese de franquear uma das vagas majoritárias à legenda de Zema, inclusive, chegou a ser debatida em uma reunião entre o governador e Gilberto Kassab duas semanas atrás. A esperança de dirigentes do partido é emplacar o postulante a vice-chefe do Executivo.

O Republicanos, por sua vez, trabalha, no momento, com duas pré-candidaturas: a do senador Cleitinho Azevedo para o governo e a do deputado federal Euclydes Pettersen para o Senado.

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