Em sessão de 10 horas, deputados aprovam fim do referendo para venda da Copasa

PEC que elimina necessidade de consulta popular recebeu aval em 1° turno e precisará retornar ao plenário para votação final
Plenário da ALMG
PEC da Copasa ainda precisa ser votada em 2° turno. Foto: Willian Dias/ALMG

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, em 1° turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que elimina a necessidade de referendo popular para a privatização da Companhia de Saneamento (Copasa). A votação, iniciada por volta das 18h de quinta-feira (23), terminou pouco depois das 4h desta sexta-feira (24), em meio a tentativas de obstrução de parlamentares contrários à medida.

Sob protestos de servidores da estatal, que assistiram à sessão das galerias do plenário, cinquenta e dois parlamentares se manifestaram favoravelmente à PEC, enquanto 18 opinaram pela rejeição ao texto. Agora, a proposta será novamente analisada por uma Comissão Especial. Posteriormente, retornará ao plenário para a votação em 2° turno.

O aval definitivo para a privatização da Copasa, contudo, só acontecerá se o Legislativo aprovar, em dois turnos, o projeto de lei que trata especificamente das regras para a negociação de ações da empresa. 

A necessidade de referendo popular consta na Constituição Estadual desde 2001. A PEC em debate no Parlamento diz que a consulta pública será dispensada se os recursos obtidos com a privatização da empresa de saneamento forem utilizados no refinanciamento da dívida estadual junto à União. 

A ideia é utilizar a verba no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Para tal, há dois caminhos: o abatimento direto de parte do passivo e a injeção dos recursos em políticas públicas previstas pelo plano, que estabelece que um percentual 0,5% e 2% do saldo devedor das unidades federativas precisa ser utilizado para bancar ações em áreas como segurança pública, infraestrutura e ensino profissionalizante.

Defesa por agilidade

Um eventual referendo para a privatização da Copasa só poderá acontecer, segundo a Justiça Eleitoral, no dia do primeiro turno das eleições gerais do ano que vem. O pleito está previsto para o primeiro domingo de outubro de 2026.

Na visão de aliados do governador Romeu Zema (Novo), esperar até o fim do ano que vem para conseguir aval pode atrapalhar as tratativas em prol da renegociação da dívida estadual. Embora o governo federal tenha, no início do mês, estendido, até 31 de dezembro de 2026, a janela para a federalização de ativos no âmbito do Propag, a adesão ao programa precisa ser assinada até o final deste ano.

“A necessidade do referendo nos implica tempo muito longo para que o referendo possa ser organizado e efetivado. Não dará tempo para que Minas possa aderir dentro do prazo estipulado”, disse o líder governista Cássio Soares, do PSD.

Oposição contesta

Deputados da coalizão de oposição a Zema se revezaram em discursos nas tribunas do plenário a fim de protelar a votação. A obstrução se arrastou até a madrugada. Segundo o líder oposicionista Ulysses Gomes (PT), o Executivo estadual usa de “oportunismo” ao vincular a privatização da Copasa ao Propag.

Segundo Ulysses, o fim do referendo representa um “rompimento” com as regras constitucionais. 

“O governo nega informações e participação em muitos momentos. Não faz o debate. Só a oposição tem falado”, pontuou.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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