Ainda à espera do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), mas de olho em alternativas para entrar na disputa pelo governo de Minas Gerais, o PT acredita ser possível convencer a prefeita de Contagem, Marília Campos, a pleitear a sucessão de Romeu Zema (Novo). Embora Marília tenha sinalizado, na semana passada, não estar disposta a embarcar na empreitada, uma ala do partido entende que é possível fazê-la a mudar de ideia por meio de trunfos como a garantia de uma campanha financeiramente robusta.
Na quarta-feira (29), durante reunião com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, Marília avisou que, se decidir disputar a eleição do ano que vem, entrará em campo apenas para concorrer a uma das duas vagas no Senado Federal.
Setores do PT, contudo, avaliam que a conversa com Gleisi foi introdutória, sem que a ex-presidente nacional da sigla apresentasse argumentos concretos para fazer Marília topar pleitear o governo.
Para embasar a expectativa de mudança, interlocutores do partido ouvidos por O Fator lembram o histórico recente de revisões de posição da prefeita.
“Há cerca de quatro meses, Marília negava qualquer pretensão eleitoral; de dois meses para cá, passou a considerar a disputa pelo Senado”, disse uma fonte, sob reserva.
Além de assegurar os custos de campanha, o partido teria de investir para que Marília circule pelo estado antes mesmo da desincompatibilização do cargo, entre março e abril.
Outra frente de convencimento envolve a promessa de que o Palácio do Planalto participará das negociações, costurando o apoio de partidos que integram a base do governo federal e também mantém cargos no governo Zema.
Há, ainda, quem aposte que uma oferta de um cargo em um quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em caso de derrota de Marília poderia ajudá-la a se convencer.
Ainda segundo fontes do PT ouvidas pela reportagem, uma nova conversa com a prefeita deve ser conduzida por Lula e por outros cardeais do partido, como o ex-ministro José Dirceu — que há meses defende Marília como o “plano B” da legenda em Minas.
Cenário indefinido
Marília Campos tem defendido abertamente uma aliança do PT a Rodrigo Pacheco. Lula também quer ter o ex-presidente do Congresso Nacional como líder de seu palanque em Minas. O senador, porém, ainda não bateu o martelo sobre o futuro político e dá mostras de que prefere ser indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O favorito a preencher a lacuna de Luís Roberto Barroso na Corte, entretanto, é Jorge Messias, advogado-geral da União.
Além de Marília, o PT chegou a cogitar, como nome para concorrer ao governo, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo. Em outra frente, Alexandre Kalil (PDT), que esteve ao lado de Lula em 2022, considera a hipótese de se reaproximar do petista a fim de ser o nome dele na corrida pelo governo mineiro.
Quem também cogita se credenciar é o deputado federal André Janones, de saída do Avante.
