A decisão do presidente Donald Trump, de retirar a tarifa de 40% de importação aos Estados Unidos da América (EUA) de 238 produtos agrícolas brasileiros, entre eles a carne bovina e o café, foi recebida com um misto de cautela e otimismo por produtores de Minas Gerais.
A Associação dos Frigoríficos de Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal (Afrig) divulgou nota comemorando a ordem executiva assinada por Trump nessa quinta-feira (20). O presidente da entidade, Sílvio da Silveira, destacou também o papel da diplomacia brasileira nas negociações com o governo norte-americano.
“Reconhecemos o empenho técnico, a capacidade de diálogo e a atuação firme e estratégica do Itamaraty”, lê-se em um trecho do texto.
Cafeicultores do Leste e do Sul de Minas, no entanto, afirmam que a medida não trará relevantes efeitos em curto prazo. Isso porque o período mais forte da colheita do grão ocorre entre os meses de abril e julho.
“Cerca de 80% da produção deste ano já foi vendida, seja para o mercado interno ou para exportação. As sacas que serão colhidas em 2026 começam a ser plantadas agora, no fim de novembro”, diz Marcos Oliveira, produtor do município de Pedra Bonita, no Leste do estado.
Vigente a partir de 7 de agosto, o tarifaço de Trump levou os produtores mineiros a priorizar a busca por outros mercados, principalmente na Europa e na China. Outro aspecto que pesou para a redução dos efeitos da restrição imposta pelos EUA foi a queda na produção de café no Brasil em 2025, em razão, principalmente, dos efeitos do clima.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foram produzidas neste ano pouco mais de 55 milhões de sacas no país. O volume é menor, por exemplo, do que as 63 milhões de sacas embaladas em 2020.