O advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado na última semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), ainda não telefonou para o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) em busca do voto pela aprovação de seu nome no Senado.
O parlamentar era o principal concorrente interno à indicação para o STF. Após ser escolhido na quinta-feira (21), Messias iniciou sua estratégia de aproximação política. Abriu conversas reservadas com parlamentares governistas e líderes partidários. Além disso, ele se prepara para iniciar uma romaria pelos gabinetes do Senado.
A etapa é considerada essencial para garantir votos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário, onde Messias precisa de pelo menos 41 votos para ter o nome aprovado. Na CCJ, onde será sabatinado, ele deve enfrentar um processo de desgaste conduzido por senadores oposicionistas.
As votações são secretas e a movimentação ocorre enquanto avança a articulação liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que era o principal defensor da indicação de Pacheco para o Supremo. O senador por Minas é, inclusive, membro titular da CCJ.
Segundo a colunista Daniela Lima, do UOL, Alcolumbre já começou a telefonar aliados para pedir votos contra Messias, numa tentativa de medir forças com o Palácio do Planalto e demonstrar a insatisfação de parte do Senado com a escolha de Lula.
Nos bastidores, aliados do advogado-geral minimizam o cenário. Avaliam que o desgaste inicial pode ser revertido com conversas diretas, sinalizações de independência em relação ao governo e diálogo com integrantes do Centrão.
Nesta segunda-feira (24), Messias tentou acalmar o ambiente político ao divulgar uma carta pública dirigida a Alcolumbre. No texto, afirmou sentir-se “no dever” de se dirigir ao presidente do Senado após a indicação de Lula.
Além de indicar que irá fazer uma “romaria” pelo Senado, ele fez ainda uma série de elogios ao amapaense destacando seu papel como líder político e a relação construída entre ambos durante o período em que trabalhou na Casa.
“Assim, pude desenvolver uma relação saudável, franca e amigável com o presidente Davi, por quem tenho grande admiração e apreço. Acredito que, juntos, poderemos sempre aprofundar o diálogo e encontrar soluções institucionais que promovam a valorização da política, por intermédio dos melhores princípios da institucionalidade democrática”, escreveu.