Brasil perde espaço em minerais críticos, aponta estudo; avanço do lítio em Minas é exceção

Enquanto a produção global avança, o país recua ou estagna em substâncias estratégicas; cenário é de incertezas regulatórias
Minerais críticos são usados em baterias, veículos elétricos, torres de energia eólica e tecnologias de ponta. Foto: Gil Leonardi/Agência Minas

O Brasil está perdendo espaço na produção mundial de minerais críticos, insumos centrais para a transição energética. Embora detenha 10% das reservas globais, o país reduziu a participação na oferta nos últimos sete anos, na contramão do movimento internacional. A única exceção é o lítio, cuja extração, concentrada no Vale do Jequitinhonha (MG), cresceu em média 75% ao ano no período, quase quatro vezes o avanço global de 20% anuais.

Os dados integram o estudo “Minerais críticos da transição energética: reservas, produção e investimentos no Brasil”, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com a Agência Nacional de Mineração (ANM) e divulgado na quinta-feira (4).

O levantamento mostra que o país recuou ou estagnou na maior parte das substâncias estratégicas e opera como exportador de minérios brutos de baixo valor agregado e importador de produtos industriais de alto conteúdo tecnológico. Entre os fatores apontados estão incertezas regulatórias e falta de investimentos consistentes.

Segundo Ipea e ANM, a saída para reverter o cenário exige articulação entre política mineral, política energética e política industrial, com foco em transformar reservas em capacidade produtiva e integrar o país às cadeias globais de valor em segmentos como baterias, veículos elétricos e tecnologias de baixa emissão.

Grafita, terras raras, manganês, níquel e bauxita

Apesar de deter a segunda maior reserva global de grafita, estimada em 74 milhões de toneladas, a produção brasileira caiu, em média, 8,4% ao ano nos últimos sete anos.

No mesmo período, a produção mundial cresceu 10% ao ano, impulsionada por países como Moçambique, que multiplicou a oferta mais de 200 vezes, e Madagascar, que ampliou quase nove vezes, mesmo com reservas inferiores às brasileiras.

No caso das terras raras, o Brasil detém 19% das reservas globais e disputa o segundo lugar com o Vietnã. Ainda assim, a produção nacional recuou 6,4% ao ano, enquanto o volume global cresceu 19,4% anuais.

A produção de manganês caiu 7,4% no período e a de bauxita diminuiu 2,8% ao ano, passando de 38 milhões para pouco mais de 32 milhões de toneladas. No mesmo intervalo, a produção mundial de bauxita subiu 3,8% anuais. A Guiné, por exemplo, elevou a oferta de 51,7 milhões para 123 milhões de toneladas.

O estudo também identifica estagnação no níquel. Embora o Brasil possua 12,3% das reservas globais, a produção avançou apenas 0,9% ao ano, passando de 68 mil para 72 mil toneladas em sete anos. Em contrapartida, a produção global subiu 9,5% ao ano, impulsionada pela Indonésia, que quintuplicou sua oferta, de 363 mil para mais de 2,03 milhões de toneladas.

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