Zema descarta vice, avalia pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e reforça antagonismo com Lula

Governador mineiro disse que vai “com sua candidatura até o final” e comentou que “a família Bolsonaro apoia a família Bolsonaro”
Romeu Zema
O governador Romeu Zema (Novo) conversou, na quarta-feira (9), com jornalistas em Brasília. Foto: Cristiano Machado / Imprensa MG

Apesar das múltiplas pré-candidaturas de direita à Presidência da República e de seu nome aparecer como opção para vice em uma chapa ao Palácio do Planalto, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, crava que irá até o final pelo Novo para tentar vencer o pleito 2026: “Vou com o Novo até o final. Não serei candidato a vice”.

Ele conta ainda que já esperava que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por golpe de Estado, apresentasse alguém do próprio núcleo para a disputa. Para Zema, apesar das divergências internas, “a família Bolsonaro apoia a família Bolsonaro”.

O mineiro de Araxá avalia que o mais impactado com a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência seria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Aliados do paulista costumam mencionar Zema como opção para compor uma chapa, mas o mineiro afirma que Tarcísio sempre disse que buscaria a reeleição.

As declarações foram dadas durante um encontro com jornalistas de Minas que acompanham o dia a dia da capital federal, em um café realizado na tarde de terça-feira (9), em Brasília. Zema fez um balanço dos seus dois mandatos e comentou seus próximos passos na tentativa de chegar ao Palácio do Planalto.

Questionado sobre a possibilidade de concorrer ao Senado, em uma composição mais ampla da direita, ele é direto ao negar e dizer que “não tem perfil para o Legislativo”. Segundo Zema, o foco continua sendo o Executivo porque sua atuação sempre esteve ligada à gestão, já que veio do setor privado.

Ele afirma ainda que é prematuro falar de alianças para 2026, mas relata que mantém conversas com pré-candidatos de direita ao Planalto e dirigentes de partidos como União Brasil, PSD, PP e Republicanos. O governador ressalta também que a opção por buscar a Presidência também passa pelo trabalho de criar palanque para nomes do Novo em todo país.

Estratégia eleitoral e antagonismo com o PT

Em meio a um cenário fragmentado e repleto de alternativas no campo da direita, inclusive com outros governadores, o mineiro afirma que diante dos polos consolidados de Lula e Bolsonaro, tentará atrair eleitores de centro, que historicamente costumam definir a disputa.

Entre temas de segurança pública e defesa do empreendedorismo, Zema admite que o sentimento de “antipetismo” continuará presente em sua mensagem, especialmente direcionada ao eleitorado do Sudeste. Para isso, pretende contrapor sua gestão à do ex-governador Fernando Pimentel (PT).

O projeto nacional, segundo ele, será sustentado pela narrativa da atuação em Minas, destacando a situação financeira do estado no início de seu mandato, com salários parcelados, repasses atrasados a prefeituras e dívidas com entes de outros Poderes, como o Tribunal de Justiça.

Dívida de Minas e judicializações

Indagado sobre a dívida bilionária de Minas com a União, Zema afirma que deixará o governo em abril, quando o cargo será repassado ao vice e pré-candidato Mateus Simões (PSD), com a adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) concluída.

Ele também acredita que a autorização para a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) será aprovada na Assembleia Legislativa (ALMG). Já sobre a transformação da Companhia Energética (Cemig) em corporation, aposta que se não finalizada, deve avançar até a reta final de seu governo.

A respeito da judicializações movidas pela oposição no STF e em outras instâncias, o governador avalia que não prosperarão e funcionam mais como instrumentos políticos. A dívida com a União deve, inclusive, integrar o discurso de Zema na pré-campanha, para reforçar que o governo federal não teria facilitado as negociações.

Embate direto com Lula

A narrativa, porém, vem sendo contestada por Lula, que costuma afirmar que foi o presidente que mais ajudou o estado. Nessa linha, Zema volta a criticar o petista e diz que “o presente que Lula deu para Minas foi Fernando Pimentel, e deu no que deu, no estado no vermelho”.

O embate entre os dois, que já vinha se intensificando, ganhou novos capítulos com a presença constante do presidente no estado. Nesta quinta-feira (11), Lula cumpre sua oitava visita a Minas neste ano. Questionado sobre eventual participação na agenda, Zema negou.

Ele diz que, apesar de Lula declarar em palanques que o governador não comparece aos anúncios importantes para Minas, os convites do Palácio do Planalto chegam sempre na véspera e que os eventos são voltados ao PT, onde seria vaiado. Por isso, afirma que não participará de compromissos ao lado do presidente no estado.

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