Inclusão de corporation da Cemig em oferta do Propag gerou surpresa na Assembleia

Governo quer repassar fatia acionária à União como forma de abater dívida; transformação em corporação precisa de aval legislativo
A sede da Cemig, em BH
Cemig é um dos trunfos do governo estadual para diminuir dívida. Foto: Luiz Santana/ALMG

Integrantes da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ficaram surpresos com a decisão do governo de Romeu Zema (Novo) de incluir a Companhia Energética (Cemig), condicionada à transformação da estatal em uma corporation — corporação, em tradução livre — na lista de ativos oferecidos à União por ocasião do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). O ofício do Executivo solicitando a adesão ao Propag foi encaminhado à União nesta quinta-feira (6).

O Fator apurou que entendimento de parte da Casa — e não apenas na oposição — é que a decisão de oferecer a fatia do estado na Cemig, avaliada em cerca de R$ 13,5 bilhões, se choca com sinalizações públicas do presidente Tadeu Leite (MDB) de não pautar nenhuma proposta relacionada a eventual mudança na estrutura societária da energética.

Nos bastidores, há quem compare o caso a uma situação da semana passada, quando a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) foi incluída — e posteriormente retirada — da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dispensa a necessidade de referendo para a privatização da Companhia de Saneamento (Copasa).

À ocasião, o relator da PEC na Comissão Especial formada para discutir o tema, Gustavo Valadares (PSD), apresentou um parecer abrangendo, à Gasmig, os efeitos do fim da consulta popular. Horas depois, contudo, uma emenda do líder governista João Magalhães (MDB) anulou a alteração. Tadeu Leite, inclusive, pediu aos colegas que a estatal do ramo de gás fosse retirada do texto.

Banho-maria

A proposta que transforma a Cemig em uma corporação chegou à Assembleia em novembro do ano passado. O texto, contudo, ainda segue em banho-maria.

Em linhas gerais, o modelo de corporação autoriza a pulverização das ações da empresa no mercado. A ideia de Zema é manter  a chamada golden share, que dá a Minas Gerais o poder de veto em debates estratégicos.

Atualmente, embora seja dono de 51% das ações ordinárias da Cemig, o governo estadual não possui ações preferenciais. Na prática, portanto, a porção da gestão estadual mineira na energética é de 17%.

Carteira recheada

Ao todo, o governo de Minas encaminhou à União uma carteira com R$ 96 bilhões em ativos. O montante faz parte da estratégia da equipe de Zema de oferecer o máximo possível de bens, a fim de diminuir os riscos de não cumprir a regra do Propag que permite o abatimento de 20% da dívida por meio do repasse de bens.

Para atingir esse percentual, o estado precisará assinar a federalização de ativos que, juntos, somem R$ 36 bilhões.

O leque oferecido é puxado por fluxos de recebíveis. O Palácio Tiradentes propôs dar, à União, valores a receber a título de compensações previdenciárias e para reparar perdas da Lei Kandir. O Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) também foi incluído na soma. Juntos, os créditos compõem um rol de R$ 72,7 bilhões.

A carteira oferecida à União é assim dividida:

  • Fluxo de recebíveis – R$ 72,7 bilhões;
  • Participações societárias – R$ 19,2 bilhões;
  • Imóveis – R$ 1,9 bilhão;
  • Estoque da dívida – R$ 2,6 bilhões.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Leia também:

Rodrigo Pacheco define prazo para decidir se disputa o governo de Minas

A ausência de Cleitinho em congresso da AMM, em que dividiria palco com Kalil e Gabriel Azevedo

A ‘angústia’ (e a compreensão) de nomes do Republicanos sobre a indefinição de Cleitinho em Minas

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse