Os movimentos por trás da filiação de Mateus Simões ao PSD, segundo Romeu Zema

Arranjo que levou Simões ao PSD, de acordo com governador, manteve o Novo responsável pela definição da vice na chapa estadual
Zema e Simões
O Novo, do governador Romeu Zema, deve indicar o nome de vice na chapa Mateus Simões (PSD) ao comando do estado no ano que vem. Foto: Gil Leonardo / Imprensa MG

O acordo que levou ao PSD o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, teria não só garantido ao Novo a prerrogativa de indicar o vice na chapa pessedista para a eleição estadual do ano que vem, como também atendeu a um movimento do partido de Gilberto Kassab de buscar enfraquecer a ala da sigla mais alinhada ao governo Lula.

A leitura foi feita pelo governador Romeu Zema (Novo) a jornalistas na tarde de terça-feira (9), em Brasília. A migração de Simões do Novo para o PSD, oficializada em outubro, diminuiu o espaço do senador Rodrigo Pacheco e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, no partido. “Ficaram sem lugar”, disse Zema.

Citados como nomes que poderiam encorpar o palanque de Lula em Minas no ano que vem, ambos passam a depender de saídas para outras legendas para viabilizar uma candidatura. Essa movimentação, inclusive, ajudou a embaralhar o cenário da esquerda no estado.

Isso fez com que Lula agora considere outros nomes para a disputa ao comando do segundo maior colégio eleitoral do país. O plano A era Pacheco, mas com a possibilidade dele deixar a vida pública ao fim do mandato, outras opções são ventiladas além de Silveira.

O governador também negou que o acordo com o PSD tenha levado em conta algum arranjo nacional para sua pré-candidatura à Presidência da República no ano que vem. Segundo ele, os arranjos foram concentrados no estado.

Arranjo com Novo

Zema lembrou que o acordo firmado prevê que o Novo seria responsável pela indicação do vice na chapa de Simões. Entre os nomes lembrados nas conversas de bastidores estão as vereadoras de Belo Horizonte Fernanda Altoé e Marcela Trópia, além do ex-deputado federal Tiago Mitraud, que tem atuado na pré-campanha do governador mineiro ao Palácio do Planalto.

O chefe do Executivo estadual, no entanto, não quis adiantar qual dos nomes desponta nessa corrida. Com esse acordo com o Novo, a chapa de Simões para disputar o comando do estado em 2026 indica que está praticamente definida e coloca o Republicanos, do senador Cleitinho, em modo de atenção.

Como mostrou O Fator, o deputado federal Nikolas Ferreira descartou entrar na disputa pelo comando do estado e se aproximou do vice-governador, o que pode abrir caminho para uma aliança em que o PL ocuparia uma das vagas ao Senado.

No partido, há vários nomes colocados: os deputados federais Domingos Sávio, Eros Biondini e Mauricio do Vôlei, além de Caporezzo, da Assembleia Legislativa. O vereador de Belo Horizonte Vile dos Santos também deseja o posto.

Em um acordo fechado antes mesmo de Simões mudar de legenda, a outra vaga ao Senado estaria reservada ao atual secretário de Governo do estado, Marcelo Aro, do PP, sigla que integra uma federação com o União Brasil.

E o Republicanos?

Se esse cenário se confirmar, faltaria espaço para acomodar o Republicanos em local de destaque. Cleitinho é o nome da legenda ao comando do estado em 2026 e busca ainda uma aliança com o PL.

O desejo, no entanto, esbarra no espaço que o partido deseja numa chapa majoritária, não só com Cleitinho, mas com o presidente estadual da sigla, Euclydes Pettersen, querendo uma vaga no Senado em 2026.

Zema afirmou que ainda precisa conversar para definir qual espaço o Republicanos teria na chapa, caso o partido manifeste interesse, mas considerou possível manter alinhamento com os candidatos da sigla em outras frentes.

Ele ressaltou, contudo, que Simões é quem está à frente das negociações. O vice-governador, inclusive, não esconde o desejo de atrair o Republicanos, mas já indicou publicamente que só poderá avançar formalmente nas tratativas com a legenda após uma indicação oficial de que Cleitinho não concorrerá ao Palácio Tiradentes.

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