A Confederação Nacional de Municípios (CNM) identificou que 122 prefeituras de Minas Gerais não conseguirão fechar as contas de 2025, o que representa 17% dos 701 municípios mineiros que participaram da pesquisa.
O levantamento, realizado entre 14 de outubro e 5 de dezembro por meio de entrevistas telefônicas com prefeitos, secretários de Administração e chefes de gabinete, alcançou a maior taxa de cobertura da região Sudeste ao atingir 82% das cidades do estado.
O percentual de Minas Gerais supera ligeiramente a média nacional de 16,7%, que corresponde a 696 municípios brasileiros incapazes de equilibrar as contas. Do total de 4.172 prefeituras pesquisadas no país, 78,9% afirmaram ter capacidade de encerrar o ano sem déficit, enquanto 4,4% não responderam.
Crise de recursos domina primeiro ano da nova gestão
Em Minas Gerais, 561 municípios (80%) apontam a crise financeira e a falta de recursos como o principal desafio do primeiro ano da gestão 2025-2028. A instabilidade política e econômica aparece em segundo lugar, citada por 470 municípios (67%).
O cenário mineiro reflete a realidade nacional. Entre os gestores municipais brasileiros, 80,2% identificam a crise financeira como o maior obstáculo do exercício. A instabilidade política e econômica foi mencionada por 67,5% dos respondentes, seguida pela gestão na saúde (63,4%) e pelos reajustes salariais concedidos após a pandemia (62,2%).
O primeiro ano da gestão 2025-2028 é caracterizado como período de ajuste de contas, quando os novos gestores assumem a administração municipal e precisam equilibrar as finanças herdadas do mandato anterior.
Nordeste enfrenta a pior situação
A comparação entre as cinco regiões brasileiras revela disparidades acentuadas na capacidade de gestão fiscal municipal. O Nordeste enfrenta a situação mais delicada do país, com 266 municípios (26%) declarando incapacidade de equilibrar as finanças. A região Norte registra 23% de prefeituras com dificuldades, enquanto o Centro-Oeste apresenta 13%. O Sul destaca-se com o melhor desempenho nacional, onde apenas 8% dos municípios não conseguirão fechar as contas no azul.
No Sudeste, que reúne 16% dos municípios com problemas financeiros, Minas Gerais apresenta situação semelhante à do Rio de Janeiro, também com 17% de prefeituras em dificuldades. São Paulo registra taxa ligeiramente inferior, de 16% (94 municípios), enquanto o Espírito Santo se destaca como o melhor desempenho regional, com apenas 8% das cidades incapazes de equilibrar as contas (5 municípios).
Adicional do FPM cumpre papel no pagamento do 13º salário
O pagamento do 13º salário representa um impacto financeiro estimado em R$ 33,59 bilhões para as contas municipais brasileiras, beneficiando mais de 8,3 milhões de servidores. Para fazer frente a essa obrigação, o adicional de 1% do Fundo de Participação dos Municípios em dezembro tem cumprido papel decisivo.
Em Minas Gerais, 96% dos municípios afirmaram que esse recurso extra auxiliará no pagamento da gratificação natalina. Desde 2007, quando foi conquistado pela CNM e pelo movimento municipalista, o adicional já injetou R$ 81,7 bilhões nos cofres municipais ao longo de 19 anos.
A pesquisa indica que 52% dos municípios mineiros optaram pelo pagamento parcelado do 13º salário, enquanto 46% escolheram a parcela única. Entre os que optaram pela parcela única ou pela primeira parcela, 48% já haviam realizado o pagamento até a conclusão da pesquisa, e outros 48% planejavam pagar até o prazo legal. Apenas 2% declararam possibilidade de atraso.
A gestão fiscal de final de exercício revela sinais de pressão sobre as contas municipais que se estenderão ao próximo ano. Em Minas Gerais, 30% dos municípios deixarão restos a pagar descobertos, ou seja, despesas empenhadas sem fonte de recurso garantida para 2026. Essa situação comprometerá o fluxo de caixa do exercício seguinte e poderá afetar a execução das despesas já previstas no orçamento.
O atraso no pagamento de fornecedores atinge 28% das prefeituras mineiras, percentual ligeiramente inferior à média nacional de 28,8%. O indicador aponta dificuldades na gestão de caixa e na liquidação de obrigações de curto prazo em aproximadamente um terço dos municípios brasileiros.
O levantamento alcançou 701 municípios de Minas Gerais dos 853 existentes, representando 82% do estado. No Brasil, a pesquisa atingiu 4.172 municípios, equivalente a 75% do total.
Para garantir a robustez estatística dos dados, a CNM criou uma subamostra de 1.400 municípios com a mesma representação estadual e populacional da amostra completa. O teste de robustez aplicado confirmou não haver divergência significativa entre os dois conjuntos, validando a confiabilidade dos resultados apresentados.