TCE-MG mantém suspensão de escolas cívico-militares em Minas

Corte apontou ausência de base legal e incompatibilidade orçamentária do programa
Presidente do TCE afirmou que o orçamento do Corpo de Bombeiros não é suficiente para atender as escolas. Foto: CBMMG/Divulgação

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) negou, nesta quarta-feira (17), o agravo de instrumento apresentado pelo governo estadual que buscava derrubar a suspensão do programa de escolas cívico-militares. Com a decisão, as nove unidades da rede estadual que adotaram o modelo não poderão funcionar nesses termos no próximo ano letivo.

No entendimento do relator, Adonias Monteiro, o programa não possui amparo legal e nem previsão nos instrumentos de planejamento orçamentário do estado.

Quatro conselheiros acompanharam o voto do relator, que manteve a medida cautelar imposta em agosto. Licurgo Mourão votou a favor da retomada do programa.

Voto do relator

Adonias Monteiro afirmou que o orçamento de Minas Gerais não contempla despesas com escolas cívico-militares e que a execução da política envolve gastos considerados lesivos ao erário. Segundo ele, nesse modelo, militares que atendem a educação são remunerados com recursos da segurança pública, o que caracteriza desvio de finalidade.

O relator também apontou que a convocação de militares, inclusive da reserva, para atuar como monitores e supervisores nas escolas não tem previsão na legislação estadual.

Por fim, destacou que a manutenção da cautelar impede o avanço de uma política pública sem respaldo legal e incompatível com os aspectos orçamentários e financeiros.

Para o conselheiro, não se confirmou o argumento do governo, apresentado pelo representante da Advocacia-Geral do Estado (AGE), Valmir Peixoto Costa, de que a suspensão do programa geraria retrocesso social, insegurança jurídica ou prejuízos concretos à comunidade escolar.

Adonias ressaltou que inspeções realizadas pela unidade técnica do TCE-MG nas escolas indicaram que, de forma geral, os indicadores educacionais não apresentaram evolução significativa após a implantação do modelo.

Restrições orçamentárias do Corpo de Bombeiros

O presidente do TCE-MG, conselheiro Durval Ângelo, afirmou que recebeu críticas de integrantes do Corpo de Bombeiros Militar sobre a falta de efetivo para atender às escolas cívico-militares.

Segundo ele, a corporação enfrenta restrições orçamentárias e redução de pessoal, o que inviabilizaria a ampliação do modelo sem previsão específica no orçamento.

Durval Ângelo comentou, ainda, que argumentos relacionados à ordem e à disciplina não podem ser o eixo central do debate educacional e que projetos de regulamentação do modelo tramitam há anos sem aprovação.

Sobre a decisão do TCE-MG, a Advocacia-Geral do Estado informou, em nota, que irá se manifestar nos autos do processo.

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