Depois de um ano e quatro meses fechado, o prédio de cinco andares onde sempre funcionou a Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), na avenida Afonso Pena, próximo à Rodoviária de Belo Horizonte, voltará a ser ocupado.
Para lá irá, a partir do início do ano que vem, a Rede Cidadã, organização social sem fins lucrativos fundada em 2002 e que desenvolve projetos de geração de trabalho e renda para pessoas em vulnerabilidade social, especialmente jovens.
Com isso, o tabuleiro da revitalização do hipercentro de BH ganha novas movimentações. Atualmente, a Rede Cidadã funciona em outro prédio no hipercentro, na Avenida dos Andradas, no entorno da Praça da Estação. Para o local, irá a Faculdade Felício Rocho, em processo de criação pelo tradicional hospital homônimo.
Na nova sede, a Rede Cidadã terá dois auditórios, que não existem no prédio da Avenida dos Andradas. Haverá, ainda, aumento no número de salas, que passarão de 10 para 16. Com isso, cerca de 300 pessoas a mais passarão a circular no hipercentro, condição essencial para o avanço de qualquer projeto de revitalização de área urbana.
Segundo Fernando Alves, diretor-executivo da instituição, o grande diferencial da nova sede será o modelo das salas de aula, que não terão as carteiras tradicionais, mas um mobiliário que pode ser disposto de diversas formas. A troca, afirma, está alinhada ao objetivo da Rede Cidadã de incentivar o trabalho em equipe e preparar os jovens para o mundo do trabalho.
“É um conceito bastante moderno e diferenciado”, afirma.
A locação da antiga sede da ACMinas foi feita no início de 2025, com as obras iniciando-se em março. A previsão é de que as intervenções terminem nos primeiros dias de janeiro de 2026. Para a revitalização do prédio, que tem quatro andares, a Rede Cidadã está investindo R$ 5 milhões. O contrato de aluguel tem 10 anos de validade.
A mudança da sede da ACMinas para a Savassi aconteceu em setembro de 2022. Segundo explicou na época, o então presidente da instituição, José Anchieta da Silva, a migração se fazia necessária porque a sede antiga se mostrava grande demais para a nova realidade da ACMinas, em que vários setores passaram, após a pandemia, a trabalhar em home-office.

Cenário de esvaziamento do hipercentro
A saída da ACMinas do hipercentro integrava o cenário de esvaziamento acelerado daquela região da cidade, que começou a ser estancado na gestão do prefeito Fuad Nomam, com a implementação do projeto “O Centro de todo mundo”.
Em dezembro de 2024, no final da gestão de Fuad, a Câmara Municipal aprovou a Lei do Retrofit, concedendo incentivos a empresários que investissem em projetos de requalificação da área central da cidade. Uma nova versão, de iniciativa do atual prefeito, Álvaro Damião (União Brasil), com um pacote mais robusto de incentivos, está em tramitação no Legislativo.
A arquiteta Sarah Dapieve, responsável pelo projeto de revitalização do prédio da antiga sede da ACMinas, considera que a reocupação da edificação irá dar um contribuir para a requalificação do centro de Belo Horizonte, funcionando como uma via de mão dupla, por aumentar a sensação de segurança e permitir o maior uso de uma infraestrutura urbana como a que dispõe o hipercentro.
“A vantagem é dupla, pois ganha a cidade e ganha o cidadão”, pontua a arquiteta.