Prefeitura vai pedir à União o direito de uso de três prédios do governo federal em BH

Edificações estão sem uso e demandam obras de revitalização; duas são tombadas pelo Patrimônio Histórico
Há 12 anos sem uso, prédio que foi sede do Dnit em Minas já perdeu todos os seus vidros, em suas três fachadas. Foto Marcelo Freitas/O Fator

Além das edificações que compõem o quarteirão 26 do hipercentro de Belo Horizonte, onde funcionava a Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) irá solicitar formalmente à Secretaria de Patrimônio da União (SPU) o direito de uso de três outros imóveis pertencentes ao governo federal, mas que estão sem uso na capital mineira.

O Fator apurou que uma das edificações na mira do Executivo municipal sediava a Faculdade de Odontologia da Universidade da Federal de Minas Gerais (UFMG), no bairro Cidade Jardim, na Região Centro-Sul. Outro imóvel é o da antiga sede do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), na Avenida Prudente de Morais, também na Centro-Sul.

Na lista está, também, o Edifício Chagas Dória, na esquina da avenida Assis Chateubriand com a Rua Sapucaí, no hipercentro da capital.

Ainda conforme apuração de O Fator, a solicitação de transferência dos prédios será encaminhada pela Prefeitura de BH ao Ministério da Gestão e Inovação (MGI), chefiada por Esther Dweck. O MGI é a pasta responsável pela SPU.

Imóveis tombados

Dos três imóveis, dois — o antigo prédio da Faculdade de Odontologia e o Edifício Chagas Dória — são protegidos por órgãos do patrimônio histórico. Projetado pelo arquiteto Alfredo Carneito Santiago em estilo art decó e construído entre 1933 e 1934, o Chagas Dória tem tombamento muicipal e estadual.

Ao longo do tempo, o edifício teve vários usos. Primeiro, foi sede do Instituto de Auxílios Mútuos dos Empregados da Estrada de Ferro Oeste de Minas, da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que operava o metrô de Belo Horizonte. Mais recentemente, abrigou o Centro de Referência do Audiovisual (Crav), da Prefeitura de BH.

Atualmente, o Chagas Dória está fechado e com visíveis sinais de degradação em sua fachada, coberta por pichações.

Fachada do Edifício Chagas Dória, na Rua Sapucaí com Avenida Assis Chateaubriand, exibe visíveis sinais de degradação. Foto: Marcelo Freitas/O Fator
O hipercentro de BH e seus contrastes: à esquerda, a Rua Sapucaí, inteiramente revitalizada pela PBH; à direita, o Edifício Chagas Dória, vazio e com suas fachadas tomadas por pichações. Foto: Marcelo Freitas/O Fator

Faculdade de Odontologia

Projetado em estilo modernista pelo arquiteto Adolfo Gusmão, o antigo prédio da Faculdade de Odontologia da UFMG é de 1953. Em 2000, perdeu o uso original depois que as turmas universitárias foram transferidas para o campus Pampulha. Hoje, o terreno está cedido à Polícia Federal, que mantém um depósito no local.

O prédio tem portaria e acesso controlado. O local, tombado em 2013 na instância municipal, ocupa um quarteirão triangular no Cidade Jardim. A edificações exibe sinais de deterioração de sua fachada e interiores, com vidros quebrados e pintura desgastada em vários pontos.

Interior do prédio da antiga Faculdade de Odontologia da UFMG. Edificação em estilo modernista tombada pelo município demanda urgente trabalho de restauração. Foto Marcelo Freitas/O Fator

Problemas visíveis

Das três edificações, a que está em pior estado de conservação é antiga sede do Dnit, na Prudente de Morais. O local, que também ocupa um quarteirão triangular, está perto da Barragem Santa Lúcia.

O edifício praticamente não tem mais vidros. Os elevadores não funcionam. O prédio é vigiado por quatro seguranças que trabalham em sistema de revezamento, em turnos de 12 por 36 horas.

A transferência do Dnit para uma nova sede se deu depois que uma vistoria do Corpo de Bombeiros apontou que o prédio apresentava sérios problemas de segurança.

Sem sucesso, a SPU tentou, em seguida, licitar o imóvel, que foi oferecido também ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que o recusou. O prédio não tem tombamento por órgão de defesa do patrimônio histórico.

Na porta em blindex que dá para a avenida Prudente de Morais, a informação que resiste à passagem do tempo, 13 anos depois de o Dnit deixar de ser o ocupante do imóvel. Foto: Marcelo Freitas/O Fator

Escola de Engenharia

Além destes três imóveis, a PBH irá reivindicar o direito de uso do conjunto de edificações onde funcionava a Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no hipercentro de Belo Horizonte.

No local, existem quatro edificações: dois prédios maiores – um de 11 andares e outro de oito andares – e dois menores, ambos de dois andares. Dois dos imóveis — o de oito andares, com entrada para a rua Espírito Santo; e o de dois andares, na confluência da rua da Bahia com a rua Guaicurus — são tombadas por órgãos do Patrimônio Histórico e exibem sinais de deterioração das fachadas, como mostrou reportagem de O Fator.

O complexo predial está sem uso desde 2010, quando a Escola de Engenharia da UFMG foi transferida para o campus da Pampulha. Trata-se de uma área de 10 mil metros quadrados, identificada nos registros da prefeitura como o quarteirão 26 da primeira seção urbana.

Em 2011, o direito de seu uso foi transferido para o Tribunal Regional do trabalho (TRT), que pretendia instalar lá as 48 varas da primeira instância, além de 22 novas varas, que seriam criadas para desafogar a demanda sobre a Justiça do Trabalho.

Porém, com a reforma trabalhista, de 2017, o número de processos que deram entrada na Justiça do Trabalho apresentou redução substancial. Com isso, a ampliação do número de varas deixou de ser necessária. E no último dia 11 de novembro, o TRT aprovou a devolução dos imóveis à SPU.

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