Após delação em que confessa propina na Aegea, presidente do Conselho da Copasa vai renunciar

Saída de Hamilton Amadeo, que admitiu pagamentos indevidos à frente da Aegea, acontecerá ainda nesta quinta-feira (12)
O presidente do Conselho da Copasa, Hamilton Amadeo
Hamilton Amadeo vai deixar o organograma da Copasa. Foto: Museu do Amanhã/YouTube

O ex-CEO da Aegea, Hamilton Amadeo, vai renunciar ainda nesta quinta-feira (12) à presidência do Conselho de Administração da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), segundo apurou O Fator.

Mais cedo, reportagem do Uol citou trechos de uma delação premiada do executivo. No depoimento, ele confessa o pagamento de propinas a agentes públicos para favorecer contratos da Aegea quando comandava a empresa privada.

A saída acontece em meio ao avanço do processo de privatização da estatal. A proposta do governador Romeu Zema (Novo) para a venda de ações do Executivo estadual na companhia, inclusive, será analisada por assembleia de acionistas no próximo dia 23.

Como O Fator mostrou mais cedo, setores contrários à privatização avaliam acionar a Justiça a fim de tentar o adiamento da sessão. O entendimento é que a queda de Amadeo configura elemento suficiente para a postergação.

Segundo reportagem do UOL, Amadeo confessou à Justiça ter autorizado, a partir de 2012, repasses milionários a agentes públicos em diferentes estados, com o objetivo de destravar contratos e aditivos favoráveis à empresa em pelo menos dois estados. O dinheiro era usado para pagamento de dívidas de campanhas eleitorais.

Oferta secundária

O governo de Minas trabalha prioritariamente com um modelo de privatização que prevê a entrada de um parceiro estratégico no capital da Copasa. Um dos cenários da proposta enviada à direção da empresa estabelece a busca por um investidor de referência, com experiência comprovada no setor de saneamento.

Pelo desenho em estudo, o Estado pretende transferir cerca de 30% da participação acionária a esse parceiro. Caso a operação se concretize, o governo reduziria a fatia dos atuais 50,3% para aproximadamente 5%, enquanto o restante das ações poderia ser negociado separadamente no mercado.

A outra hipótese da proposta, inserida na modelagem apenas como garantia de solução em caso de ausência de parceiro de referência, prevê aval para o governo estadual negociar a totalidade de seus títulos.

A ideia é promover uma oferta secundária, em que os recursos arrecadados com a transação seguem diretamente para o caixa do vendedor — no caso, o Executivo estadual. O Palácio Tiradentes tem a intenção de aplicar os recursos nas contrapartidas exigidas pelo Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

Aegea na disputa

Antes mesmo da aprovação da privatização, a Aegea já havia iniciado articulações em Minas.

Como mostrou O Fator, representantes da empresa circularam pela Assembleia Legislativa ao longo de 2025 para discutir o modelo do leilão. 

Em julho, o atual CEO da companhia, Radamés Casseb, reafirmou publicamente o interesse no saneamento mineiro e disse aguardar apenas a definição do processo para entrar formalmente na disputa.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

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