Emenda sobre FGC que Haddad “estranhou” é de Ciro Nogueira

Em depoimento à PF, Daniel Vorcaro disse que “o plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC”
Ciro Nogueira na CCJ do Senado
Ciro Nogueira na CCJ do Senado: emenda para aumentar limite do FGC. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A emenda que Fernando Haddad disse nesta terça (3) ter ‘estranhado’ é de autoria de Ciro Nogueira, líder da Minoria no Senado, ex-ministro de Bolsonaro e presidente nacional do PP.

“Eu só comecei a estranhar esse assunto [do Banco Master], entender que era uma coisa preocupante, quando começaram a discutir a PEC da autonomia financeira do Banco Central e no âmbito dessa discussão eles queriam aumentar o valor do FGC, da garantia do FGC, porque os 250 mil já não ‘tavam permitindo rodar, né, a bicicleta do Master”, disse o ministro em entrevista à Rádio BandNews FM nesta manhã.

“Emenda do Ciro Nogueira”, acrescentou um jornalista.

“Eu não participei desse assunto”, respondeu Haddad.

A PEC da autonomia financeira do Banco Central foi discutida em audiência pública em junho de 2024 na CCJ do Senado. Em agosto daquele ano, Ciro Nogueira apresentou uma emenda, a única em toda a discussão a citar o FGC.

Trecho da Emenda 11 à PEC 65/2023, apresentada por Ciro Nogueira.

A proposta de Ciro Nogueira é quadruplicar a garantia do FGC, de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por pessoa ou empresa.

“O FGC, portanto, vem contribuindo para a manutenção e estabilidade do SFN [Sistema Financeiro Nacional] e prevenção de crise(s) bancária(s) sistêmica(s), dada garantia que presta, bem assim com a contratação de operações de assistência ou suporte financeiro a suas associadas”, escreveu o senador na justificativa da emenda.

“No mesmo sentido – de manter o alinhamento com as políticas internacionais -, mas também para incentivar a possibilidade de instituições terem maior competitividade entre si – isto é, não ocorra o monopólio dos serviços para as instituições mais tradicionais e maiores -, disponibilizando ao consumidor final melhor qualidade na prestação de serviços, se faz necessário a majoração da garantia ordinária”, acrescentou.

Em entrevista na noite de ontem (2) à Jovem Pan News, Ciro Nogueira disse que uma CPI do Banco Master “não vai fazer bem ao país”, preferindo que a investigação seja conduzida pela PF, MPF e pelo Banco Central, “que tem que dar muitas explicações”.

Perguntado sobre a emenda, o senador alegou que ela “não beneficia o Banco Master em nada”, e que o FGC deveria ser corrigido pela inflação.

Procurada por O Fator, a assessoria de imprensa de Ciro Nogueira nos dirigiu para essa entrevista de ontem.

Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro disse que “o plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso”.

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