O deputado federal Rodrigo de Castro vai assumir a presidência do diretório estadual do União Brasil em Minas Gerais. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (4) por Antônio Rueda, presidente nacional da sigla, em conversa com correligionários.
A mudança, articulada há meses, foi discutida em reunião entre Rueda e Castro na segunda-feira (2), em Belo Horizonte. Embora ainda não tenha efeito imediato, a alteração no comando mineiro do partido pode reconfigurar o cenário eleitoral no estado.
Atualmente, a federação União Brasil–PP apoia a pré-candidatura do vice-governador Mateus Simões (PSD) ao governo de Minas. A relação entre Simões e Castro, no entanto, é ruim. O deputado é próximo do senador Rodrigo Pacheco, que prepara a saída do PSD e mantém tratativas para se filiar ao União.
Na semana passada, O Fator mostrou que a entrada de Castro no comando do União Brasil em Minas era parte de um plano de aliados de Pacheco para tentar retirar o apoio da federação à candidatura de Mateus Simões. Apesar disso, a articulação não envolve uma candidatura de Pacheco a governador.
Com a mudança, Pacheco poderia levar para o partido parte de sua base política, hoje distribuída entre diversas legendas, mas concentrada no PSD. A movimentação abre possibilidade de disputa interna entre dois grupos: um que defende a manutenção do apoio a Simões, e outro alinhado ao projeto político dos dois Rodrigos — Pacheco e Castro.
A indicação de Castro encerra a gestão do deputado federal Delegado Marcelo Freitas à frente do diretório mineiro. Na noite de terça-feira (3), Freitas se reuniu em Brasília com o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto. Procurado por O Fator, o parlamentar afirmou que o encontro tratou “apenas de diálogo institucional, por ora”.
‘Preparando o terreno’
Segundo apuração de O Fator, a filiação de Rodrigo Pacheco ao União deve ser selada após o Carnaval. Concluída a reorganização partidária, o senador definirá se será ou não candidato ao governo de Minas Gerais.
Esse arranjo explica, inclusive, por que uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece em compasso de espera. Pacheco segue como o nome escolhido pelo petista para a disputa ao governo estadual, mas o diálogo só deve ocorrer depois que a nova estrutura do União for erguida.
Sem isso, dizem interlocutores, não há como a conversa avançar. Acrescentam que concretizada a ida para o União Brasil, o senador mineiro pretende, sendo candidato ou não ao governo estadual, manter protagonismo na sigla e participar das decisões em Minas Gerais.
A intenção está ligada à base política que ele construiu e ao peso da sigla, que reúne diversas lideranças e, por isso, participa das articulações e negociações nos planos estadual e nacional.
Articulação
Um dos principais articuladores desse movimento é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), que atua para acelerar os trâmites. Ele já teria obtido o aval do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, partido que integra a federação com o União Brasil.
Esse aval é considerado necessário pela proximidade do PP com a direita. Há, no entanto, o entendimento de que a federação pode adotar cenários de independência, se necessário, em alguns estados, como a formação de palanque para Lula em Minas Gerais.