Publicações nas redes sociais do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e uma nota à imprensa assinada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, provocaram o primeiro mal-estar público e interno do ano no grupo que articula a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) ao governo de Minas Gerais nas eleições deste ano.
O episódio começou após Lupi afirmar, em rede social, que teria recebido de Edinho a confirmação do apoio do PT à candidatura de Kalil no estado. Em resposta, Edinho divulgou nota à imprensa.
No texto, ele afirmou que a reunião tratou do debate sobre a coligação nacional que apoiará a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que as definições estaduais serão construídas em acordo com os diretórios locais.
Segundo interlocutores, a maior irritação foi interna e teve como foco Lupi. A avaliação é que o dirigente antecipou uma posição ainda não pactuada, o que abriu uma frente considerada desnecessária de desgaste no grupo.
O incômodo se deu pela leitura de que a publicação deu a entender que Kalil teria interesse em caminhar ao lado de Lula em Minas. Nos bastidores, chegou a ser apontada “ingenuidade” de Lupi ao acreditar que já haveria um compromisso fechado com PT.
O ex-prefeito também se incomodou com a manifestação pública de Edinho, com quem mantém relação próxima, por avaliar que a nota à imprensa o colocou em segundo plano no debate político e passou a impressão de que ele teria ido em busca do apoio do PT e de Lula.
A relação entre Kalil e o presidente, vale lembrar, está fragilizada desde a última eleição ao governo do estado, marcada por divergências entre os dois, quando Kalil foi derrotado por Romeu Zema (Novo).
Após a repercussão, Kalil recorreu às redes sociais para afirmar que define o próprio palanque em Minas, em sinalização direta do desconforto com a condução do episódio. “Eleição é um saco: no meu palanque só sobe quem EU quiser”, escreveu.
Segundo apurou O Fator, esse foi o primeiro “freio” que o ex-prefeito da capital mineira colocou em Lupi a fim de sinalizar que é ele quem está à frente da sua candidatura e não vai se importar em se indispor internamente, se necessário, para mostrar isso.
Primeiro passo
Antes de oficializar a candidatura ao comando do estado, o ex-prefeito de Belo Horizonte ainda precisa reverter na Justiça a decisão que o condenou por improbidade administrativa e suspendeu seus direitos políticos por cinco anos.
Interlocutores próximos a ele avaliam, no entanto, que o pedetista não deverá enfrentar dificuldades para recuperar a elegibilidade no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
Palanque de Lula em Minas
Como O Fator mostrou, aliados de Lula ainda esperam por uma resposta do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) quanto à possibilidade de disputar ao governo de Minas e ser palanque do petista no estado.
O parlamentar deve se filiar, nas próximas semanas, ao União Brasil, que passará a ser comandado por um aliado, o deputado federal Rodrigo de Castro. Após isso, Pacheco irá definir se vai ou não disputar a chefia do Palácio Tiradentes.