Quem é o empresário mineiro que chama a atenção por gastar milhões em pré-campanha à Câmara dos Deputados

Pré-campanha de Keesen opera com uma estrutura próxima ao modelo utilizado por candidatos oficiais
A estratégia combina expansão territorial e alianças em diferentes níveis da política mineira. Foto: Reprodução

Contratos milionários, eventos vultosos, parcerias políticas e muito dinheiro. O alto patamar de investimento do empresário Olavo Keesen, que trabalha para ser candidato a deputado federal na eleição deste ano, tem chamado a atenção de interlocutores e lideranças políticas de Minas Gerais.

A luz ao nome do empresário, até então um desconhecido para a maior parte do mundo político mineiro, se dá não somente por causa dos valores que Keesen já tem investido na corrida rumo à Câmara dos Deputados, mas também pelas alianças construídas.

O Fator apurou que a pré-campanha de Keesen opera com uma estrutura próxima ao modelo utilizado por candidatos oficiais. A engrenagem inclui equipe fixa, agendas em cidades do interior e presença recorrente em eventos regionais, bancados majoritariamente por recursos do próprio empresário.

“Fiz muitos amigos na política, mas quero fazer uma campanha independente de candidatos ao governo e à presidência. Tenho conversado com vários partidos e tenho convite para me filiar a legendas como PSDB, PRD, Avante e Cidadania. Quero tomar essa decisão até o começo do março”, diz Keesen.

A estratégia combina expansão territorial e alianças em diferentes níveis da política mineira. A partir do Instituto Olavo Keesen, criado em 2014 com o nome Associação Beneficente Valentes de Davi, e rebatizado em 2024, o empresário passou a fechar parcerias com vereadores, prefeitos, deputados estaduais e ex‑deputados federais em cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e do interior.

“Através de lideranças como os ex-deputados Júlio Delgado e Fabiano Tolentino, além de vereadores e lideranças em diversas regiões do estado, estamos levando as ações do instituto Olavo Keesen para toda Minas Gerais”, conta o empresário a O Fator.

O instituto costuma promover mutirões de saúde, lazer e atendimento veterinário nessas localidades. O cardápio, que funciona como vitrine para o nome de Keesen, também inclui cursos profissionalizantes e atividades culturais.

A entidade, a propósito, está em nome da advogada Serena Araújo. Nas eleições de 2024, Serena atuou como encarregada de registrar dados de candidatos do Solidariedade em Belo Horizonte. Antes, teve um cargo na Empresa de Informática e Informação do Município de BH (Prodabel).

Na prática, os acordos garantem a presença de lideranças locais na estrutura montada por Keesen e criam palanques regionais para a pré‑campanha. Ex‑parlamentares, vereadores e secretários municipais passaram a atuar como pontes entre o empresário e bases eleitorais diversas, em troca de apoio político, visibilidade e, em alguns casos, participação em projetos sociais financiados pelo grupo.

Entre os aliados que já atuam na pré-campanha de Keesen, estão os ex-deputados Júlio Delgado e Fabiano Tolentino, o vereador de Contagem Léo da Academia (PDT), o secretário de Governo do ex-prefeito Carlin Moura, também de Contagem, Rodrigo Cupim, e o segundo suplente na chapa do Podemos em BH, Breno Nolasco.

Em outra frente, o empresário articula dobradinhas com os deputados estaduais Mauro Tramonte (Republicanos) e Professor Wendel (Solidariedade), além de encaminhar alianças com Doutor Vinícius (sem partido), ex-candidato a prefeito de Betim, e com o vereador José Carlos (Avante), de Contagem, todos pré-candidatos a uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Contratos milionários

A base econômica que sustenta a atuação política tem ligação direta com os contratos da Lok Pirâmide, empresa criada por Keesen nos anos 2000, junto ao poder público e a empresas.

“Comecei a trabalhar há 30 anos vendendo cachorro quente e hoje minha empresa fornece estruturas metálicas, tendas e galpões para 80% dos grandes eventos em minas. Nossos maiores clientes são mineradoras, a indústria automobilística e a Petrobras”, afirma.

Em Minas, a Lok Pirâmide cresceu como fornecedora habitual de tendas, palcos, galpões e equipamentos para festas públicas e eventos institucionais, em contratos com prefeituras e câmaras. Os acordos, na maioria das vezes, são firmados por meio de adesão a atas de registro de preços.

No ano passado, por exemplo, a Lok fechou um contrato com a Prefeitura de Senhora do Porto, na região Leste de Minas, um contrato de R$ 910 mil para fornecimento de estruturas para eventos, vinculado a uma acordo feito em 2024 com a Prefeitura de Lagoa Santa (Região Central).

Em Contagem, base da Lok Pirâmide, a Câmara Municipal aderiu a uma ata do consórcio Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CIDRUS), sediado no município de Candeias, na região dos Campos das Vertentes, e firmou dois contratos de R$ 890 mil cada.

Fora de Minas a Lok também fez sucesso. Em Cabo Frio (RJ), a prefeitura assinou contrato superior a R$ 19 milhões com a para prestação de serviços de eventos por um ano, também via adesão a ata de registro de preços. Em Guarapari (ES), outro contrato, na faixa de R$ 14 milhões, levou o Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES) a determinar a suspensão da execução após questionamentos sobre a pesquisa de preços e a vantajosidade da adesão.

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