Justiça mantém ação contra ex-vereadores de BH por uso de verba de gabinete em campanha eleitoral

Processo começou em 2013, após denúncia que de parlamentares estavam usando recursos da Casa para abastecer carros de campanha
A fachada da Câmara de Belo Horizonte. Foto: Cláudio Rabelo / CMBH

A 3ª Vara da Fazenda Pública de Belo Horizonte rejeitou, nessa quinta-feira (19), os pedidos de nulidade e de extinção da ação que apura o uso irregular de verba indenizatória de combustível por ex-vereadores da capital em veículos das campanhas eleitorais de 2012. A decisão é do juiz Danilo Couto Lobato Bicalho.​

Na decisão, o magistrado também determinou a retirada de Iran Barbosa do núcleo passivo e afirmou se tratar apenas a adequação da capitulação jurídica à luz da nova Lei de Improbidade Administrativa. Por isso, ele recebeu como pedidos de esclarecimento as manifestações do Ministério Público e das defesas, acolhendo-as em parte apenas para retificar a referência legal usada na fase de saneamento.​

O juiz afastou a tese de nulidade integral da decisão anterior e também rejeitou o pedido de extinção do processo. Para ele, eventual divergência entre a decisão judicial e a imputação do Ministério Público podia ser corrigida por ajuste pontual, sem prejudicar a justa causa nem o prosseguimento da ação.​

A decisão também deferiu a produção de prova testemunhal requerida pelas defesas. As partes terão prazo comum de 15 dias para apresentar o rol de testemunhas, com qualificação e indicação objetiva da pertinência da prova.​

Segundo o juiz, a fase probatória é necessária porque o caso envolve elementos fáticos como a destinação dos veículos, a finalidade dos abastecimentos e a presença de dolo específico. Depois do prazo para indicação das testemunhas, os autos voltarão conclusos para designação de audiência.​

Histórico

O processo foi proposto pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em 2013 e trata da suposta utilização indevida de verba pública destinada a combustível para abastecer veículos usados em campanhas eleitorais de 2012. Na decisão, o juiz registra que os automóveis teriam circulado com propaganda eleitoral e, em alguns casos, com equipamento de som e plotagem de campanha.​

A ação envolve ex-vereadores de Belo Horizonte e apura possível ato de improbidade administrativa em razão do uso de recursos públicos em benefício próprio. O juiz ainda não analisou o mérito das acusações.​

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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