O acordo homologado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3) em dezembro para reorganizar o plano de saúde e o plano odontológico de empregados e aposentados da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) refletiu diretamente no resultado do quarto trimestre de 2025 da estatal. No período, foi registrada alta de 88% no lucro líquido, passando de R$ 997,6 milhões entre outubro e dezembro 2024 para R$ 1,88 bilhão para o mesmo período do ano passado.
Os resultados foram divulgados ao mercado na madrugada desta sexta-feira (20).
Mesmo com o efeito positivo concentrado no fim do ano, a Cemig encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 4,90 bilhões, abaixo dos R$ 7,12 bilhões registrados em 2024, e destinou R$ 3,51 bilhões em proventos aos acionistas.
Ebitda
Entre outubro e dezembro, o Ebitda total subiu 53,9%, para R$ 2,95 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado caiu 6,5%, para R$ 1,81 bilhão, indicando que a melhora do trimestre não refletiu no mesmo ritmo na operação recorrente.
No consolidado do ano, a companhia registrou Ebitda de R$ 8,28 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 7,30 bilhões.
A diferença entre os dois indicadores incorpora o efeito do acordo, que reduziu obrigações futuras ligadas à assistência aos beneficiários e teve impacto líquido de R$ 1,19 bilhão no Ebitda e de R$ 788,1 milhões no lucro líquido apenas no quarto trimestre.
O Ebitda é um indicador usado pelo mercado para medir a geração operacional de caixa antes de despesas financeiras, impostos e efeitos contábeis. Já o Ebitda Ajustado tenta mostrar o desempenho sem itens extraordinários, como o acordo trabalhista que alterou o retrato do trimestre.
Proventos
Do total de R$ 3,51 bilhões em proventos, R$ 2,42 bilhões correspondem a juros sobre capital próprio já anunciados ao longo do exercício. Outros R$ 417 milhões foram pagos em dezembro, na forma de dividendos retirados da reserva de lucros.
A administração ainda propôs mais R$ 676 milhões em dividendos, que serão submetidos à Assembleia Geral Ordinária prevista para abril de 2026. Se aprovados, completam o valor total de proventos informado pela estatal.
O que diz o acordo
Homologado em dezembro, o novo modelo unificou acordos firmados com entidades representativas, encerrou cerca de 10 ações coletivas sobre o tema e elevou para R$ 1,28 bilhão o aporte da empresa ao fundo indenizatório, após um acréscimo de R$ 30 milhões.
Pelo desenho aprovado, os empregados da ativa passarão ao Plano Premium, com mensalidades custeadas integralmente pela Cemig para titulares e dependentes diretos, enquanto aposentados, ex-empregados e pensionistas serão migrados para outro plano, operado pela Cemig Saúde.